Dos 382 delegados que estão na ativa, 36% deles não estão investigando os crimes que são registrados em Pernambuco. Ao invés de estarem trabalhando para identificar motivações e autorias de homicídios, abusos sexuais ou assaltos, por exemplo, esses profissionais acumulam funções administrativas. A denúncia faz parte de um relatório publicado pela Adeppe (Associação de Delegados de Polícia do Estado).

“Quando é lançado edital para concurso de delegado de polícia, observa-se no documento que a atribuição do cargo é a de investigação de crimes. Entretanto, em Pernambuco, essa não é a função precípua do delegado. A criação de departamentos especializados gerou uma ampliação desmedida de funções, afastando os delegados da atividade fim. A ampliação do número de delegados seccionais é um bom exemplo. Pulou de 12 para 26”, denunciou a categoria.

Ainda segundo a Adeppe, esse não é o único entrave que provoca o aumento da violência desenfreada em Pernambuco – em apenas nove meses foram 4.145 mortes registradas. As instalações físicas precárias das delegacias, assunto denunciado com frequência pelo Ronda JC, também é alvo de críticas da associação.

“Os imóveis que sediam as unidades da Polícia Civil consomem, anualmente, quase R$ 6 milhões dos cofres públicos. Recursos valiosos que poderiam subsidiar a construção de pelo menos 10 novas delegacias todos os anos. Além dos imóveis, veículos e equipamentos de informática também são alugados, gerando gastos que dificultam a modernização da instituição”.

Enquanto delegados exercem funções administrativas, outros se desdobram acumulando a titularidade de delegacias. Em junho deste ano, um delegado assumiu quatro delegacias de municípios diferentes do Estado. (Ronda JC)

 

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