O lado bom das produções de terror terem voltado com força atualmente são as diversas opções de títulos que temos. Este também é o lado ruim, já que a quantidade nem sempre representa qualidade. Temos filmes e séries para todos os tipos de gosto e a Netflix tem se aproveitado do momento. O serviço de streaming tem investido em conteúdo do gênero e, de vez em quando, os assinantes são presenteados com boas obras. O último grande sucesso de terror foi A Maldição da Residência Hill. Agora, chegou a hora de lista alguns motivos para assistir Marianne.

A série francesa acaba de entrar no catálogo do serviço e provou ser uma boa opção para os amantes do terror. Com uma premissa diferente, Marianne une traumas, horror, amizade, o sobrenatural e a diferente representação dos medos humanos, em mais um acerto original Netflix. A seguir, selecionamos alguns pontos que, talvez, te ajudem na hora de apertar – ou não – o play.

Marianne tem o total de oito episódios, todos já disponíveis na Netflix.

1 – Trama macabra

Num apanhado geral, podemos dizer que o enredo das histórias de terror das últimas duas décadas e meia ficaram padronizados. Uma casa assombra aqui, alguém que enfrenta maldição ali, algum espírito inquieto, que assombra pessoas aleatórias do outro lado. Precisamos garimpar no meio de tantas produções, para encontrar títulos melhores. Um dos aspectos que chama atenção em Marianne é justamente sua trama. Na história, Emma Larsimon (Victoire Du Bois) é uma famosa autora de livros de terror, que decide encerrar a série, que escreve há dez anos.

Emma era atormentada, por sonhos macabros, quando adolescente e criou uma personagem para tirar esse peso de si. Em sua obra, a protagonista lida com uma bruxa chamada Marianne. No dia do lançamento do seu último livro, uma pessoa do passado reaparece e insiste que ela deve voltar a sua cidade natal. Caso contrário, o mal nunca cessará. Incrédula a princípio, certos eventos forçam Emma a retornar às suas origens. No processo, ela descobre que sua escrita nunca foi apenas ficção.

2 – Fora do circuito hollywoodiano

O Brasil está mais acostumado a consumir conteúdos americanos. O bacana de serviços como a Netflix é que, agora, está um pouco mais fácil ter acesso à obras fora do circuito hollywoodiano. Não que a indústria americana seja ruim, longe disso. Porém, sempre é bom expandir as experiências. Isso porque o estilo narrativo europeu tende a ser diferente do usual Hollywood. Marianne é uma série de terror francesa, portanto, fora do convencional esperado. O horror moderno hollywoodiano ficou marcado pelo uso exaustivo do jump scare. Uma técnica que, embora encontrada na história, é vista com menos frequência.

O ritmo da narrativa é desacelerado, não significa, porém, que seja menos intenso. O terror é desenvolvido com calma e o perigo não se esconde apenas na escuridão. Realidade e sonho se misturam de forma tão homogênea que às vezes é difícil distingui-los.

3 – Sem tempo a perder

Outro ponto positivo da série é como as outras pessoas não demoram a acreditar em Emma. A protagonista é assombrada pela imagem da bruxa, que achava ter criado. Ela não precisa tentar convencer seus amigos de sua sanidade e da veracidade das coisas que tem acontecido na cidade. Eles não tardam a perceber o mal e, por consequência, também sofrê-lo. Apesar dos desentendimentos, Emma tem o apoio dos amigos, os quais tentam ajudá-la a se livrar da bruxa. Mesmo que isso signifique sacrifícios.

4 – Quebra de expectativas

As histórias de terror se tornaram tão genéricas que, em várias obras, é possível prever o que acontecerá na próxima cena. Ou mesmo antever as escolhas e ações dos personagens. Em Marianne, as coisas funcionam na contramão. Por mais que tudo indique um caminho, a trama segue por outro. Certos momentos são montados para levar o espectador a crer num determinado desfecho. Mas o resultado acaba sendo inesperado. A quebra de expectativas reforça a atenção da audiência e alimenta a curiosidade de consumir cada vez mais a história.

5 – Apenas humanos

Para variar, durante os episódios, existem momentos nos quais queremos sacudir as pessoas e gritar para elas reagirem. Para ficarem mais espertas e não tomarem decisões tão equívocas, pois sabemos que certas ações não terminaram bem. Pior ainda, certas atitudes são quase imperdoáveis, já que, apesar de ninguém ali ser especialista em bruxaria e casos sobrenaturais, um pouco de pesquisa pode salvar vidas. Errar é humano, mas ignorar o bom senso, em situações de perigo, é revoltante.

6 – O medo tangível

Por mais que o enredo de Marianne seja sobrenatural, Emma e seus amigos enfrentam situações que somos perfeitamente capazes de nos identificar. Os sonhos medonhos, irreais e, ao mesmo tempo, prejudiciais. A fuga da responsabilidade. Os medos infantis que, muitas vezes, nos acompanham quando crescemos. O monstro dentro do armário, o desconforto de olhar embaixo da cama, a sensação de ter ouvido uma voz, mesmo estando sozinho. O medo de confrontar experiências traumáticas e descobrir que tudo foi pior do que se lembrava.

7 – Entre tropeços, a satisfação

Os primeiros episódios de Marianne são realmente para te dar arrepios. Infelizmente, a série desliza na metade da temporada. Cai em clichês desnecessários, força relacionamentos sem sentido e enrola com a história. Talvez, o maior pecado do programa tenha sido se livrar muito cedo de sua figura mais aterrorizante. Contudo, mesmo com os tropeços do meio e certos absurdos, a série proporciona um fim satisfatório. Existe um desfecho, mas também há como manter a história, caso exista uma segunda temporada. No geral, vale a pena passar uma noite na companhia de Marianne.

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