A partir da segunda metade do Século XX, a imprensa investiu maciçamente na transformação porca do jornalista numa espécie de detetive particular barato: o repórter, em dicotomia, precisa encontrar vítima e culpado, mocinho e bandido, o Bem e o Mal de cada pauta.

Não por acaso, convencionou-se ético ouvir “o outro lado”, estabelecendo, portanto, a existência de apenas dois.

Profundidade? Só havendo interesse financeiro do grupo de mídia. Caso contrário, a regra é ser raso. O viés editorial pela superficialidade vem abraçado, agarradinho, ao preconceito consolidado nas redações segundo o qual o Povo Brasileiro, em sua expressiva maioria, sofre de analfabetismo funcional e é incapaz de compreender narrativas mais buriladas.

Água mole em pedra dura…

Agora, inoculado na veia da sociedade o mau hábito de só enxergar dois lados em toda e qualquer pauta, não admira que a imprensa passe a ser pintada como antagonista. Afinal, no universo dos “cidadãos de bem”, alguém precisa ser o “malvado”, pois não?! Belerofonte e Quimera, já diz o Mito (maiúsculo, por favor!).

É o que acontece quando a chuva extrema é culpa exclusiva do Prefeito; ou quando o desabamento da encosta é culpa do Governador; ou o fuzilamento criminoso de uma família é jogado na conta do Presidente da República.

Lógica matemática: quem vende dois lados acabará num deles.

Hoje, a Imprensa Brasileira é algo entre Odete Roitman e Nazaré Tedesco.(*)

Daqui a pouco passa… ou não.

(*) Nota da Redação: Vilãs de novelas da Rede Globo.

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