Há 86 anos atrás, acontecia na Alemanha um movimento que marcou a história. Durante o regime Nazista, houve a famosa queima de livros em praça pública. Quando Adolf Hitler chegou ao poder em 1933, ele promoveu várias campanhas com o intuito de “purificar a cultura alemã”. Tudo aquilo que fosse contrário à sua posição nacionalista deveria ser exterminado. Mesmo que isso fosse uma perseguição declarada aos intelectuais, os alemães mostraram pouca ou nenhuma oposição à opressão do governo nazista.

A medida opressora de queimar livros em praça pública, foi uma iniciativa do Ministério da Propaganda, liderado por Joseph Goebbels. Com cartazes, comerciais, movimentos nas ruas e exposições de “arte degenerada”, eles queriam convencer a população sobre a necessidade de acabar com os movimentos culturais da oposição às concepções nacionalistas. Talvez nem fosse preciso tanto investimento em políticas publicitárias para convencer a nação.  Desde o começo, os alemães se mostraram bem favoráveis às ideias do regime de Hitler.

Livros “impuros” e “nocivos”, aqueles escritos por pensadores não alemães, judeus e pessoas contrárias às medidas do nazismo eram o foco dessa purificação. E a queima de livros acabou se tornando uma das práticas comuns do regime nazista. E como todos sabem, no final da Segunda Guerra Mundial, pessoas também foram queimadas sob a mesma justificativa.

A grande fogueira

Na noite de 10 de maio de 1933, sob o comando de Joseph Goebbels, foi organizado uma grande queima de livros. O evento aconteceu simultaneamente em vários pontos da Alemanha, sendo o principal dos atos na praça central de Berlin. No episódio, milhares de livros foram queimados sob os olhos dos cidadãos alemães. O evento reuniu policiais, bombeiros, autoridade públicas e professores universitários.

Usando uniformes com o símbolo da suástica, os estudantes universitários da Liga dos Estudantes Alemães Nacional-Socialistas invadiram a biblioteca, onde hoje é a Faculdade de Direito da Universidade de Humboldt. Eles saíram de lá levando mais de 20 mil livros escritos por “degenerados”. Os livros foram queimados na praça de Opernplatz, hoje praça de Bebelplatz, no centro da capital.

A queima dos livros foi assistida por milhares de pessoas, enquanto Goebbels discursava sobre a “reeducação” da Alemanha. Observando o fogo destruir inúmeras obras intelectuais, a multidão se reunia seduzida pela promessa de purificação da nação.

Os livros

Entre os livros queimados, estavam obras dos judeus Sigmund Freud, Karl Marx, Albert Einstein e Walter Benjamim. Também do filósofo Friedrich Nietszche, do romancista Thomas Mann e do dramaturgo Bertolt Brecht. Se contar os vários livros escritos por pensadores da República de Weimar.

Os livros em questão eram considerados contrários aos ideais do “espírito germânico”, que segundo os nazistas, pregavam a decadência moral e cultural, além de “falsificar a história”. A maioria dos livros queimados eram obras de ciências humanas.

Deveriam ser queimados principalmente os livros de história, filosofia, sociologia e ciências políticas porque esses desafiavam a ideologia do regime e davam abertura para um debate. O mesmo se dava também com as obras de literatura que incitassem reflexões sobre o sistema.

Mesmo que o evento tenha sido um marco da perseguição aos intelectuais, a opinião pública não demostrou nenhuma resistência. As universidades não se manifestaram, os outros países observaram o episódio de forma neutra, enquanto as editoras usaram a situação com oportunismo.

Poucos foram os intelectuais que reconheceram a gravidade da situação. Entre eles estavam Thomas Mann, Nobel de Literatura em 1929, e Ricarda Huch, da Academia Prussiana de Artes. Huch chegou até a criticar os atos do regime nazista após se retirar da Academia. “A centralização, a opressão, os métodos brutais, a difamação dos que pensam diferente, os autoelogios, tudo isso não combina com meu modo de pensar”, disse ela.

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