sábado, março 6, 2021
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Advogado de Lula diz que recibos foram encontrados em pertences de Marisa

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O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), publicou nesta quinta-feira (28) vídeo no qual diz que os recibos de aluguel entregues à Justiça em um processo da Operação Lava Jato na qual o petista é réu foram encontrados em meio a pertences da ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em fevereiro.

Os comprovantes são de pagamentos do aluguel de um apartamento usado por Lula em São Bernardo do Campo (SP), vizinho ao do ex-presidente. No contrato, a locatária é Marisa Letícia.

Segundo denúncia da força-tarefa da Operação Lava Jato no MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná), o apartamento foi comprado por um laranja, o engenheiro Glaucos da Costamarques, com dinheiro da Odebrecht e como propina da construtora a Lula. Em contrapartida, o ex-presidente teria atuado em prol da empresa em contratos com a Petrobras –o que sua defesa nega. O MPF também diz na denúncia que não há comprovação do pagamento do aluguel.

De acordo com Zanin Martins, “foram realizadas diligências por familiares e colaboradores do ex-presidente Lula nos pertences de dona Marisa, que sempre foi a locadora do imóvel. Os recibos foram encontrados, e da mesma forma que chegaram até nós, foram apresentados no processo”.

“Acreditamos que esses recibos expressam a verdade dos fatos, pois dona Marisa sempre foi uma mulher íntegra e honesta”, diz o advogado no vídeo.

Reprodução

Defesa do ex-presidente apresentou recibos como prova de pagamentos de aluguéis

Zanin Martins também mostra na gravação, publicada em redes sociais, uma correspondência de 3 de janeiro de 2017 atribuída a Glaucos da Costamarques, em que o engenheiro pede a Marisa que passe a depositar o aluguel em outra conta bancária.

“Por meio desta venho pedir que o depósito do apartamento nº 121 do Edifício Green Hill, que estava sendo feito no banco Santander seja alterado, a partir do aluguel referente ao mês de setembro, para o seguinte banco”, diz a correspondência, citando uma conta do Banco do Brasil.

O advogado de Lula destaca que, no pedido, Costamarques “não fez qualquer referência a qualquer valor em aberto”.

“Se o proprietário mandou correspondências formais a dona Marisa, inclusive próximas a seu falecimento, por que ele não teria feito registro da existência de um débito, mas simplesmente indicado uma nova forma de recebimento dos aluguéis?”, questiona Zanin Martins.

Reprodução

Carta atribuída a Costamarques e exibida por Zanin Martins

Procurada pelo UOL, a defesa de Costamarques ainda não comentou o conteúdo do vídeo da defesa de Lula. O engenheiro é réu por lavagem de dinheiro no mesmo processo do ex-presidente, que responde também por corrupção passiva.

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, Costamarques disse que firmou o contrato de aluguel em 2011 com Marisa Letícia, mas diz que só passou a receber o pagamento em novembro de 2015, após a prisão de Bumlai, tendo recebido “calote” durante quase cinco anos.

Apesar disso, o engenheiro declarou à Receita Federal todos os valores. A Moro, Costamarques disse que não reclamou da falta de pagamento porque queria que o pecuarista José Carlos Bumlai –seu primo e amigo de Lula– pagasse pela propriedade do apartamento. Segundo Costamarques, Bumlai pediu a ele para que comprasse o imóvel, pois não queria que “alguém estranho” ocupasse o local.

Entre os recibos entregues pela defesa de Lula a Moro dois têm datas que não existem: 31 de junho e 31 de novembro. Em nota divulgada ontem, a defesa do ex-presidente disse que os comprovantes dão quitação em relação aos aluguéis até dezembro de 2015. “Não há qualquer questionamento em relação às assinaturas que constam no documento. A quitação é a prova mais completa de pagamento, de acordo com a lei. Se houver qualquer dúvida em relação aos recibos, poderão eles ser submetidos a uma prova pericial.”

Glaucos da Costamarques afirma ter assinado, em um único dia, todos os recibos de aluguel de 2015 referentes ao apartamento vizinho ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo, usado pelo petista e sua família.

Segundo Costamarques, os documentos foram levados a ele pelo contador de Lula, João Muniz Leite, a pedido de Roberto Teixeira –advogado e amigo do ex-presidente –quando estava internado no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, em novembro daquele ano. As informações são do jornal “O Globo”. Lula foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão, é réu em seis processos e já foi denunciado em dois.

Os recibos haviam sido solicitados ao ex-presidente pelo juiz federal Sergio Moro, durante o segundo depoimento prestado por Lula a ele, no dia 13. O petista disse que iria ver com seu contador onde estavam os recibos, entregues por sua defesa na segunda-feira (26).

Os comprovantes apresentados referem-se ao período de agosto de 2011 a novembro de 2015. De acordo com o jornal, a defesa de Costamarques avalia ajuizar ainda nesta quinta-feira uma petição na 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, revelando a forma como os comprovantes foram assinados e ainda solicitando imagens do circuito interno do hospital para comprovar as visitas feitas a Costamarques por Leite e Teixeira –o empresário ficou hospitalizado entre 22 e 28 de novembro de 2015.

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