Neste artigo, o leitor Marcos Júnior faz uma análise do que considera “a verdadeira oposição” em Juazeiro e do atual cenário político do município.

Confiram:

Muito tem se indagado acerca da verdadeira oposição de Juazeiro, já que militantes que antes enfeitaram o palanque de adversários do atual prefeito hoje andam ” selfando” na onda dos comunistas, engolindo seus discursos, esquecendo o que disseram e apagando o que escreveram.

A tabuada eleitoral é exata e é fato que o grupo liderado por Isaac Carvalho não tem avançado eleitoralmente há anos, inobstante suas aquisições e adesões.

Para se ter uma ideia rápida, Isaac Carvalho venceu as eleições municipais em 2009, com 38, 21% dos votos (dados do TSE).  Na sua reeleição cooptou o PT, tirou a candidatura do ex-prefeito Joseph, estraçalhou partidos, criou uma estrutura gigantesca de campanha e tomou um susto grande na eleição que rivalizou com uma chapa neófita (Márcio Jandir e Osanah Setúval), que em 24 horas alcançaram 43% dos votos, enquanto Janileide à época teve 4%. Ou seja, 47% dos votos para oposição a Isaac Carvalho. Em 2016 seu candidato à sucessão, apesar de todo apoio do governo estadual, deputados, vereadores, elegeu Paulo Bonfim nas costas do racha da oposição, que levou quase 70% dos votos da cidade.

Neste raciocínio lógico (números são exatos) percebe-se que o eleitorado do grupo de Isaac Carvalho não anda, não cresce, mesmo com todo aparato político não passa de 40% há quase 10 anos, tem vencido muito mais na divisão interna de adversários do que na aceitação popular.

A obesidade mórbida eleitoral dos detentores do poder municipal não os fazem avançar. Ora, é inadmissível no campo político um grupo que detém o poder há quase 10 anos, aliado dos governos nacional e estadual, com um exército de aproximadamente 20 mil funcionários diretos e indiretos, 21 vereadores, com toda estrutura pronta de campanha e um marketing exaustivo na imprensa da cidade, estagnar eleitoralmente. Não foi Isaac Carvalho e Paulo Bonfim que venceram em 2016. A maioria do eleitorado disse não a eles. Foi a oposição que, desagregada, não logrou êxito.

Assim, caro amigo, constata-se que a verdadeira oposição de Juazeiro não são político-partidários, empresários, não. São esses “selfistas” que variam de gabinete em gabinete, pendendo pra lá e pra cá, negociando seus valores; “selfistas” do poder fácil, militantes da conveniência, mercadores do caráter.

A verdadeira oposição é o povo. São as intoleráveis muriçocas, a buraqueira, a escuridão nas ruas e avenidas, as mortes nas unidades de saúde, o funcionalismo público insatisfeito, as mães que parem no chão da maternidade, lixo e animais espalhados na cidade. Tudo isso vai além do nítido silêncio da imprensa, da mudez cúmplice da Câmara Municipal, dos contratos de compra e venda com partidos. A verdadeira oposição de Juazeiro é o juazeirense. Esse povo resistente que, no momento certo, fará ressurgir suas raízes longe, muito longe de gabinetes e escritórios dos políticos profissionais. A redenção de Juazeiro virá das ruas: impávida, tranquila e imbatível. E aqui permaneço atento, na arquibancada, pra em qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa.

Marcos Júnior/Leitor

(Foto/divulgação)

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