Num artigo enviado ao Blog, o leitor Paulo Soares Lira analisa o cenário político de Juazeiro (BA) e seus candidatos a prefeito para as eleições 2020. 

Boa leitura:

Cumprido os prazos legais para a realização das convenções partidárias finalmente, em meio ainda a essa pandemia, o Brasil mergulhará nos próximos 60 dias no clima das eleições municipais para eleger prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Aqui em Juazeiro, dentre meia dúzia de postulantes ao comando maior dos destinos do município, três candidatos se mostram competitivos e disputam a preferência do eleitorado.

O atual prefeito representa a continuidade de um projeto do qual ele nunca foi além de um empregado. O seu antecessor e chefe político chegou à prefeitura embalado por um sentimento profundo de mudança que embalou a vontade popular no final da década passada. A conjuntura política estadual e federal lhe deu suporte para perenizar a sua estrutura de poder ao longo dos últimos 12 anos, fazendo com que o postulante neófito virasse político profissional e, governando de menos, transformasse a gestão pública num grande balcão para todos os negócios de interesse pessoal e familiar. A fórmula utilizada até aqui foi a de cooptação ou aniquilamento dos adversários, desorganização das antigas estruturas sociais, corrupção e intimidação a adversários. Tais práticas tornaram-se recorrentes, fugindo às tradições da política local porém, a indignação inconsciente do povo é demonstração evidente de que já não produzem o mesmo efeito. Após 3 mandatos consecutivos a fadiga natural revela que esse ciclo de poder estar se exaurindo e está demonstrado em todas as pesquisas realizadas até aqui, nesse período pré-eleitoral. A desaprovação do governo e a baixa performance do prefeito candidato falam por si, e mais uma vez a cidade poderá experimentar um novo modelo de governar.

As duas candidaturas de oposição que traduzem esse sentimento popular trazem perfis antagônicos e interessantes para o exercício democrático do eleitor em poder escolher quem tem o melhor perfil para o atual momento que o município exige.

O Coronel Anselmo e o sanfoneiro Targino Gondim sintetizam o “novo” por tratarem-se de dois estreantes da política, a despeito de Targino já haver disputado uma eleição proporcional e o staff que dá sustentação local a chapa ser composto de velhos coadjuvantes do cenário político local. O grande avalista da candidatura de Anselmo é o Deputado Federal Elmar Nascimento, do DEM, liderança política do vizinho município de Campo Formoso e que, por ausência de representantes legítimos da terra no Congresso Nacional, tem assumido o protagonismo de interferir politicamente na indicação de cargos e nas eleições municipais. O seu discurso na convenção do partido causou reboliço no eleitorado feminino ao enveredar numa discussão desnecessária de gênero e colocar em cheque a competência de uma mulher poder pela primeira vez ocupar o paço municipal. Os efeitos negativos da sua fala destemperada já estão expostos nas redes sociais e as próximas pesquisas podem demonstrar o estrago. Como grande cabo eleitoral, o deputado “queimou na largada”.

A candidatura de Suzana Ramos e Leonardo Bandeira pode aparentar a “velha política”, mas reúne um arco de alianças de partidos e forças tradicionais até recentemente improváveis de ocuparem o mesmo palanque. Se essa união antagônica e heterogênea ainda está sendo entendida pelo eleitorado o sentimento de pertencimento e de resgate é convergência no propósito de todos os apoiadores. As pesquisas dão a liderança folgada à chapa, e o protagonismo individual da liderança inquestionável de Joseph Bandeira representado por seu filho como candidato a vice-prefeito podem ser decisivos para a eleição.

No palanque de Suzana e Leonardo também estão o Deputado Estadual Roberto Carlos, os DNAs dos ex-prefeitos Jorge Khoury, Prof. Rivas e Misael, além do ex-deputado federal e ex-ministro Édson Duarte.

O tabuleiro está montado, as peças posicionadas e o jogo finalmente iniciado. As estratégias e movimentações vão oferecer ao eleitor a sua opção definitiva de escolha e a responsabilidade determinante do futuro pelos próximos 4 anos.

Paulo Soares Lira/Leitor

Fonte: Blog do Carlos Britto

Deixe uma resposta