Os problemas judiciais de Cristina Fernández de Kirchner começaram na reta final de sua presidência (2007-2015), mas se aceleraram e se multiplicaram desde que ela deixou o poder. A ex-presidenta argentina tem hoje seis processos abertos, entre eles quatro por supostos casos de corrupção, pelos quais também foram processados seus filhos, ex- funcionários do alto escalão de seu governo e empresários afins. Kirchner, que não pode ser presa por ter foro de senadora, nega todas as acusações e se declara uma perseguida política. O peronismo no Senado evitou até agora que investiguem seu domicílio, como pede o juiz, e que lhe tirem o foro privilegiado. Veja os processos judiciais que envolvem a ex-presidenta.

Dólar futuro

A estratégia monetária com a qual o kirchnerismo decidiu deter a escalada do dólar em 2015 acabou nos tribunais. Kirchner foi processada pelo crime de administração infiel em prejuízo da administração pública pelo chamado “dólar futuro”. O Governo vendia divisas a 10,6 pesos para pagar em seis meses, com um novo presidente.

Muitos entraram na operação, incluídos membros do futuro governo de Macri, e venderam o dólar a 15 pesos, com lucros de 40%. Para Bonadio, o Governo, com Kirchner à frente, prejudicou o Estado de forma consciente e lhe fez perder cerca de 3,5 bilhões de dólares. A causa foi elevada a julgamento, mas ainda não há data de início.

Memorando com o Irã

Em 14 de janeiro de 2015, Alberto Nisman, promotor especial do processo sobre o atentado contra a seguradora judaica AMIA, fez uma denúncia explosiva: acusou a então presidenta de assinar um memorando de entendimento com o Irã em troca de impunidade para os suspeitos iranianos do ataque, que deixou 85 mortos. Quatro dias depois, Nisman apareceu morto em seu apartamento. Em meio à comoção social, a Justiça arquivou a causa mas voltou a reabri-la já com Macri no poder. O juiz Bonadio processou Fernández de Kirchner e seu chanceler, Héctor Timerman, por suposto acobertamento do atentado. O início do julgamento está previsto para 2019.

Hotesur

Foi a primeira das causas por corrupção abertas contra Cristina Kirchner, em 2014. Devido a uma denúncia jornalística, a justiça começou a investigar a empresa Hotesur, administradora do hotel Alto Calafate, um dos três de propriedade dos Kirchner na província patagônica de Santa Cruz. Depois de anos com poucos avanços e de ter afastado Bonadio da causa, seu sucessor, o juiz Julián Ercolini processou em maio a ex-presidenta e seus dois filhos, Florencia e Máximo Kirchner, por suposta lavagem de ativos e associação ilícita. Segundo o processo judicial, empresários afins ao kirchnerismo contrataram durante anos quartos nos hotéis dos Kirchner como forma encoberta de lavar supostos subornos.

Hotel Os Salgueiros.
Hotel Os Salgueiros.

Los Sauces

O segundo processo por corrupção contra a ex-presidenta começou em 2015, com uma denúncia da deputada Margarita Stolbizer. Bonadio acusa Cristina Kirchner de liderar uma associação ilícita que lavou dinheiro vindo de obras públicas mediante operações da imobiliária familiar Los Sauces. O juiz processou também seus filhos, Máximo e Florencia, e determinou um embargo sobre seus bens de 8,4 milhões de dólares. Os principais clientes de Los Sauces foram os empresários Lázaro Báez e Cristóbal López, que fizeram aportes milionários em forma de aluguéis. O juiz suspeita que foram a fachada atrás da qual se ocultaram pagamentos e supostos subornos. Báez e López estão presos.

Obras públicas

Cristina Kirchner também foi acusada de ter feito parte de uma associação “destinada a apoderar-se ilegitimamente e de forma deliberada dos fundos designados para uma obra pública viária em Santa Cruz”. O juiz Julián Ercolini determinou seu indiciamento e um embargo de 666 milhões de dólares contra a ex-presidenta, uma soma que não corresponde a sua fortuna pessoal, mas ao volume dos fundos investigados. Segundo o juiz, durante anos foram desviados contratos de obras públicas para a Austral Construções, empresa de propriedade de Lázaro Báez. Báez era caixa de banco em Santa Cruz quando conheceu Néstor Kirchner, na época prefeito de Río Gallegos. Dias antes de Kirchner ser empossado presidente, Báez fundou a Austral Construcciones e graças às obras que obteve na província se tornou rapidamente milionário.

Cadernos da corrupção

Os oito cadernos do motorista Oscar Centeno deram margem à maior causa de corrupção da história da Argentina. Até o momento há 14 presos, 43 indiciados e 13 arrependidos, entre eles alguns dos maiores empresários do país, que admitiram ter pago subornos a ex-altos funcionários kirchneristas.

E.P.

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