Quase no dia da, tão esperada, Independência do Brasil, dom Pedro I enviou uma carta especial ao seu amigo e ministro, Jose Bonifácio. No final da carta, ele deixou um pedido misteriosos: “Recomende-se aos senhores nossos II e CC (…)”. Essa, que poderia ser apenas uma mensagem estranha, aparentemente sem sentindo, era uma mensagem secreta. O então príncipe regente, às vésperas de se tornar o primeiro governante do Brasil independente, estava se referindo à duas sociedades secretas. Essas, que tiveram um papel fundamental no processo histórico, que resultou no 7 de Setembro.

Cada um dos três pontos, dentro dos parênteses, representava um vértice de uma pirâmide. As duas letras i eram utilizadas por membros da Maçonaria e significavam irmãos. Enquanto a primeira, é uma das organizações mais conhecidos no mundo, a seguinte, representada por duas letras c, representava uma ordem secreta totalmente brasileira. E que, embora tenha tido uma vida, teve grande importância para o estado independente brasileiro. Tratava-se do Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz, ou como eram mais conhecidos, o Apostolado. Entenda como essas duas sociedades secretas mudaram o destino do Brasil.

As sociedades

Dom Pedro foi inserido na Maçonaria, no dia 2 de agosto de 1822. Na ocasião, ele adotou o nome de Guatimozin, o último imperador asteca. Coincidiu de ser a mesma época que começou a campanha de emancipação política do Brasil. Embora já houvesse registros de atividades maçônicas no país desde o século 18, nesse período, as lojas (pontos de encontro dos membros da sociedade) começaram a ter um papel político de maior destaque.

Naquele mesmo ano, foi criado o Grande Oriente do Brasil. Com isso, a Maçonaria brasileira finalmente se libertou e se tornou independente do Grande Oriente Lusitano. Levados pela influência da Revolução Francesa, da independência da América do Norte e das Guerra Napoleônicas, a Maçonaria brasileira tinha forte interesse em atrair o então príncipe do país.

Formado pelos maçons, e liderados por Joaquim Gonçalves Ledo e José Clemente Pereira, um grupo de pessoas tentou a todo custo dissuadir dom Pedro a descumprir as ordens da Coroa Portuguesa. Uma delas, era o retorno do príncipe à Europa.

Dom Pedro não queria desrespeitar as ordens das Cortes, mas acabou sendo convencido pelo esforço de Ledo e Pereira. Eles ainda encontraram apoio dos representantes de vários estados, entre eles, o Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Tudo para o convencer a não deixar o Brasil.

Em maio de 1822, a Maçonaria honrou dom Pedro, com o título de “Protetor e Defensor Perpétuo do Reino Unido do Brasil. No entanto, o príncipe não o aceitou completamente, e ficou a cargo apenas do título de Defensor Perpétuo.

A independência

Já o Apostolado da Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz, foi fundado por Jose Bonifácio, em 1822. A organização tinha o objeto de lutar pela independência do Brasil. No entanto, tanto a Maçonaria, quanto o Apostolado acabaram sendo fechados, por ordem de dom Pedro. Porém, não sem antes influenciar no processo político da independência do país.

O escritor Luiz Gonzaga da Rocha, presidente do Tribunal Distrital de Justiça do Grande Oriente do Distrito Federal, afirma que ambas as sociedades secretas perderam poder com o passar dos anos. Hoje, “a maçonaria exerce pouca ou quase nenhuma influência na sociedade brasileira, diz Rocha.

Segundo ele, muito disso é devido ao baixo índice de inserção social. E também ao fato do afastamento da sociedade do cenário político-econômico-social do país. Porém, é inegável o seu papel no processo de independência do Brasil, no passado.

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