Atriz e diretora Asia Argento, cuja denúncia pública dos abusos sexuais do produtor Harvey Weinstein ajudou a lançar o movimento Me Too e a mudança de cultura sobre o machismo, chegou supostamente a um acordo judicial para silenciar uma ameaça de denúncia por um homem que diz ter sido assediado por ela quando era menor de idade. A informação é do The New York Times, que afirma ter em seu poder documentos que comprovam tanto o encontro sexual quanto o acordo.

A suposta vítima é Jimmy Bennett, de 22 anos, ator infantil com quem Argento trabalhou no filme Maldito Coração, em 2004. Bennett diz que Argento o molestou anos depois, em 2013, em um quarto de hotel em Marina del Rey, na Califórnia. Ela tinha 37 anos e ele acabara de completar 17. Na Califórnia, a idade legal para o consentimento sexual é 18 anos.

O jornal afirma ter provas documentais da história, obtidas por meio de um servidor seguro de forma anônima. Entre os documentos há uma fotografia de ambos na cama datada de 9 de maio de 2013. Outro documento é uma carta da advogada de Argento, Carrie Goldberg, que em abril lhe deu detalhes de como iria fazer o pagamento a Bennett. A advogada chama isso de “ajuda”.

Nem Bennett, nem Argento, nem Goldberg concordaram em falar com o Times, que afirma que as informações foram corroboradas por três pessoas bem informadas sobre o caso.

O jornal cita uma notificação que o advogado de Bennett enviou em novembro a Richard Hofstetter, então advogado de Argento e de seu companheiro, o chef Anthony Bourdain. Na carta, cuja definição legal é notificação da intenção de processar, o advogado afirma que seu cliente viveu uma “agressão sexual” que acabou afetando sua carreira e ameaçando sua saúde mental. Naquela notificação, o advogado de Bennett pediu 3,5 milhões de dólares. A renda de Bennett havia caído enormemente nos últimos anos e ele atribuía isso às consequências daquele encontro, de acordo com a carta.

Isso foi em novembro, um mês depois de que Asia Argento deu seu depoimento em uma reportagem da The New Yorker em que uma dúzia de mulheres denunciaram o comportamento de predador sexual do poderoso produtor Harvey Weinstein. A voz de Argento –como os nomes que deu–foi determinante para a credibilidade da história e foi reconhecida sua contribuição para lançar o movimento Me Too, que marcou uma mudança radical na cultura do silêncio em torno do machismo em Hollywood e se espalhou a outras indústrias.

No dia dos acontecimentos, segundo a narrativa desse documento citado pelo Times, Argento foi ver Bennett em um quarto do hotel Ritz-Carlton em Marina del Rey, na costa de Los Angeles. Lá ela deu-lhe uma bebida e mostrou-lhe algumas anotações que havia feito em papel do hotel. Então ela o beijou, o empurrou sobre a cama, baixou as calças e fez sexo oral. Então ficou em cima dele e fizeram sexo.

Na carta em que expõe a ofensa, o advogado de Bennett explica que a presença de Argento nos meios de comunicação como vítima de assédio sexual voltou a tornar presente aquele episódio para o ator. No texto, ele afirma que Bennett sempre viu sua relação com Argento, que conheceu naquele filme quando tinha oito anos, como uma relação mãe-filho.

E.P.

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