Espécie geralmente muito temida pela população, os morcegos ganharam fama negativa por causa de um clássico de terror do cinema mundial, o Conde Drácula – o famoso vampiro de capa preta que aterrorizava as pessoas, sugando-lhes o seu sangue (além de se transformar em morcego). Mas a ficção é bem diferente da realidade. No mundo real essas espécies são grandes aliados do homem e da natureza. É o que esclarece a bióloga do Centro de Conservação e Manejo de Fauna (Cemafauna Caatinga) em Petrolina, Cibele Zanon, do Laboratório de Mastozoologia.

O foco agora é falar mais a respeito desse animal silvestre, sobre seus hábitos, principais características e também o que fazer em caso de encontrar indivíduos ou até mesmo uma colônia em algum ambiente urbano habitado. Para conservar é preciso conhecer, e muitas pessoas desconhecem o papel fundamental que os morcegos desempenham na natureza“, ressalta.

No Brasil os quirópteros contam com 180 espécies. Em sua maioria, os morcegos são insetívoros, chegando a consumir até 500 insetos em uma só noite, o que proporciona que sejam considerados eficientes controladores biológicos. Potenciais dispersores, os morcegos frutívoros, quando se alimentam de frutos os retiram de uma planta, voando para outros locais. Durante esse processo pode ocorrer tanto a queda do fruto, quanto também o descarte das sementes no forrageio ou defecação em voo, contribuindo na dispersão de mais de 100 espécies de plantas.

Outro ponto a ressaltar é que morcegos polinívoros/nectarívoros, ao introduzirem sua face alongada nas flores em busca de pólen e néctar, ficam repletos de pólen, ajudando assim na fecundação das plantas.

Dessas 180 espécies, no entanto, somente três são hematófagas (Desmodus rotundus, Diphylla ecaudata e Diaemus youngi), ou seja, se alimentam de sangue e estão restritas ao continente americano. Os morcegos sanguívoros apresentam características únicas relacionadas ao hábito alimentar, com incisivos superiores longos e altamente cortantes, saliva com substância anticoagulante, lábio inferior e língua sulcados, o que facilita a tomada de alimento.  O morcego D. rotundus alimenta-se, principalmente, do sangue de mamíferos de grande porte, mas em função da produção em larga escala de gado, a espécie passou a incluir em sua dieta sangue de animais de criação, como bovinos, equinos e suínos e, ocasionalmente seres humanos, cachorros e aves.

Ele é considerado o principal vetor silvestre da raiva e também está envolvido na transmissão da raiva humana, embora o potencial transmissor da doença para seres humanos, a partir dos morcegos, seja baixo. As espécies Diphylla ecaudata e Diaemus youngi preferem o sangue das aves e apesar de estarem amplamente distribuídas são consideradas pouco abundantes.

Considerando os animais silvestres, há poucos estudos sobre o período de transmissibilidade, que pode variar de acordo com a espécie. Por exemplo, os quirópteros podem albergar o vírus por longo período, sem sintomatologia aparente. A transmissão da raiva se dá pela penetração do vírus contido na saliva do animal infectado, principalmente pela mordedura, arranhadura, lambedura de mucosas.

Todos os mamíferos são suscetíveis ao vírus da raiva e, portanto, podem transmiti-la.  Assim como cães e gatos domésticos, os morcegos e outros mamíferos silvestres como macacos, guaxinins, cachorros-do-mato, também podem ser potenciais transmissores do vírus – uma zoonose que ataca o sistema nervoso, mas os sintomas diferem entre animais e humanos. Em relação aos morcegos, apesar de terem hábitos crepúsculo-noturno, podem ser encontrados durante o dia, em hora e locais não habituais. Em casos de acidentes com quirópteros, as medidas a serem adotadas podem ser conferidas no Blog da Saúde ou ligando para o Disque 136.

Dia do Morcego

Em 1º de outubro comemora-se o Dia Internacional do Morcego. A data foi criada pela Rede Latino Americana e do Caribe, com a intenção de mostrar às pessoas o papel dos morcegos na natureza. Visando a desmistificar a figura desse animal, o Cemafauna Caatinga está com programação especial para proporcionar maior conhecimento sobre esse mamífero, como já foi anteriormente divulgado. (Foto: Karlla Rios/divulgação)

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