Você consegue imaginar uma criatura que não é um animal, também não é uma planta, e muito menos um fungo, mas que é capaz de raciocinar e ainda possui diversos sexos? Felizmente, você não precisa imaginar, porque dificilmente a sua imaginação conseguiria criar algo tão extraordinário. Estamos falando de um sistema unicelular que já existe no planeta terra a milhares de anos e que atende a todas essas características. Esse é o Blob, uma criatura que não tem boca ou estomago, olhos, que não é capaz de identificar ou digerir alimentos. Que ao mesmo tempo não possui braços ou pernas, mas ainda assim consegue se locomover. E mais, ainda é capaz de dobrar de tamanho em um único dia.

Para muitos, o Blob seria a criatura mais impressionante e surreal que existe. Porque além disso tudo, o sistema unicelular também é capaz de aprender e transmitir conhecimento, mesmo sem ter cérebro. E sua capacidade de regeneração é incrível. Uma vez que cortado ao meio, ele consegue se regenerar em apenas dois minutos. Outra característica que torna essa criatura bizarra única, é que não existem machos ou fêmeas, mas sim 720 sexos diferentes. Dá para imaginar algo assim? Provavelmente não, e a criatura peculiar ainda intriga os cientistas mais experientes do mundo.

O Blob

O Physarum polycephalum, nome científico da criatura, quer dizer literalmente “bolor de várias cabeças”. O apelido de Blob é derivado de um filme de ficção científica, de 1958, A Bolha Assassina (The Blob, em inglês). No filme, uma forma de vida alienígena, chamada a “Bolha”, consome tudo que vê pela frente. O que pode ser facilmente associado a esse organismo tão peculiar quanto seria uma criatura alienígena.

“O Blob é realmente uma das coisas mais extraordinárias que existem hoje na Terra”, disse o diretor do zoológico de Paris, Bruno David. “Existe há milhões de anos e ainda não sabemos muito bem o que é. Não se sabe muito bem se é um animal, se é um fungo ou se é algo entre os dois”, acrescentou, dizendo que considera a criatura “um dos mistérios da natureza”.

O Blob, ou Physarum polycephalum já estava aqui na Terra, muito antes dos seres humanos, há aproximadamente 500 mil anos. Desde a sua descoberta, por muito tempo, o organismo misterioso foi considerado um fungo. Até que na década de 1990, um estudo o reclassificou no grupo dos mixomicetos. Tais como um bolor limoso, uma subcategoria da família das amebas.

Sua aparência lembra muito uma esponja escorregadia. Ele é encontrado na maioria das vezes na coloração amarela, mas também há variedades em rosa, branco e vermelho. E consiste em um única célula, fazendo dele um sistema unicelular, que às vezes pode conter vários núcleos.

O Blob é geralmente encontrado em locais onde existe decomposição, principalmente de folhas e em árvores e locais úmidos. A olho nu não parece que ele se movimenta. Mas ele consegue se locomover um centímetro por hora, em busca de novas presas. Suas favoritas são esporos de fungos, bactérias e micróbios.

Organismo único

Para a maioria dos cientistas, é unânime que, entre todas as características únicas desse organismo, a mais fascinante é, com certeza, a sua capacidade de raciocinar.

“Ele é capaz de memorizar, é capaz de adaptar seu comportamento, é capaz de resolver problemas, de se movimentar por um labirinto, procurar soluções de otimização, de se comportar um pouco como um animal”, explica David.

Graças à análise dessa criatura,  foi possível redefinir o entendimento de como a inteligência, seja ela de qualquer tipo, funciona. Os cientistas chegaram à conclusão de que, apesar do Blob não possuir um sistema nervoso central, ele é capaz de “aprender” com suas experiências. E mais do que isso, ele é capaz de mudar seu comportamento. Sem contar que, ao se fundiram com um outro organismo, são capazes de transmitir conhecimento.

Será que já podemos chamar o Blob de IA da mãe natureza? O que você acha? Conta para a gente nos comentários e compartilhe com os seus amigos.

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