O texto abaixo é de Rafael Fiorrot, um brasileiro que morou e trabalhou na China, lidando com mapas digitais. Ele revela com bastante clareza qual o possível saldo da visita dos parlamentares brasileiros ao país e o tamanho da ingenuidade destas figuras.

“Lembro que, quando trabalhei na China, o governo me cadastrou como uma pessoa de interesse, já que eu trabalharia com mapas digitais.

Semanas após a minha chegada, fui submetido a extensos exames para levantar vários aspectos da minha saúde, incluindo formação óssea do corpo inteiro, exames cardíacos, respiratórios, bem como para doenças venéreas e HIV.

Qualquer movimentação de saída e entrada era acompanhada por perguntas pelas autoridades nos aeroportos.

Nossa empresa era objeto de “batidas”, que objetivavam entender que tipo de informação de mapeamento já havíamos coletado.

Toda e qualquer mapa ou informação espacial que buscamos em agências governamentais nos foi fornecido, nas raras oportunidades que tivemos sucesso em obtê-los, somente após a introdução de um erro de localização.

Estas são apenas amostras de como o governo chinês lida com informações sensíveis e dados de inteligência no dia a dia.

Não vou nem entrar no mérito do great firewall, do social score e laogai. Pesquisem.

Aceitar um convite destes com todas as despesas pagas, ficando no hotel que o governo escolheu, é sim de uma bur.., digo, inocência gigante.

Os chineses coletarão informação de inteligência desde o aeroporto. Usou o Wi-Fi do hotel? Parabéns, o governo chinês agora terá os logins de redes sociais e e-mails de todos os parlamentares, que darão acesso à inteligência de tantas outras pessoas do entorno do grupo de apoio do governo.

Sem falar na possibilidade de estarem sendo filmados em seus próprios quartos, também com o objetivo de coleta de inteligência.

Parlamentares do PSL e setor de inteligência do governo Bolsonaro: não vou chamá-los de burros, talvez de ingênuos. Mas, gostem ou não, Olavo tem razão.

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