Caitlin Boyle com seu filho mais novo (Reprodução/ABC News)

O casal Joshua e Caitlin Boyle concedeu entrevista a ABC News, que foi ao ar nesta segunda-feira (20). Eles foram resgatados no mês passado por forças paquistanesas, que foram informadas sobre o cativeiro pela Inteligência dos EUA. Estavam há mais de cinco anos nas mãos do grupo terrorista Haqqani, ligado ao Talibã.

Em outubro 2012, Joshua e sua mulher Caitlin estavam andando nas montanhas do Afeganistão quando foram sequestrados pelo grupo terrorista. Na época, ela estava grávida. Em cativeiro, eles tiveram quatro filhos. Só três voltaram. Joshua se chamou de peregrino e disse que estava lá ajudando a minoria mais negligenciada do mundo, os campesinos que vivem no interior do Afeganistão controlado pelo Talibã, onde nenhuma ONG consegue chegar.

Na entrevista a ABC News, Caitlin revelou que foi estuprada pelos guardas que a mantinha refém junto com sua família. “Isso aconteceu. Eles entraram na cela e levaram à força meu marido para fora. Um dos guardas me jogou no chã, me bateu e gritava ‘eu vou matar você!’ E foi aí que me estuprou. Foram com dois homens e depois veio o terceiro que estava na porta. Os animais sequer tiraram a roupa”, contou.

Caitlan deu à luz três filhos durante seus cinco anos como refém. O casal afirma que seus guardas envenenaram Caitlin quando ela estava grávida pela segunda vez de uma menina, resultando em um aborto. Na entrevista, não foi perguntado e nem o casal comentou se Joshua era pai biológico de todas as crianças.

O casal contou que aos seus filhos foi negado qualquer tipo de brinquedo. Disseram que usavam da criatividade na educação das crianças, tentando tornar a vida tão feliz quanto possível para eles. “Nós simplesmente ensinamos eles a usarem coisas como tampas de garrafas ou pedaços de papelão, lixo essencialmente, como brinquedo”, disse Caitlin.

A família durante a entrevista a ABC News (Reprodução/ABC News)

Houve especulações sobre se os Boyle haviam se convertido ao Islã, haja vista que Caitlin continuou a usar um hijab, mesmo após ser libertada. Mas quando perguntado pela imprensa, Joshua se recusou a dizer qual religião eles estão praticando atualmente.

Mas Joshua afirmou ter deixado claro aos terroristas que não tinham interesse em se juntar ao grupo. “Eu os chamei de hipócritas religiosos na cara deles e eu lhes disse que eles queimariam no fogo do inferno. Eu preferia ser morto do que se juntar ao grupo deles. E por causa disso não fiquei amigo deles “, disse ele.

Caitlin também revelou que os guardas às vezes os levavam para fora do cativeiro e batiam em seus filhos, incomodados por eles estarem crescendo. “Alguns dos guardas realmente odiavam as crianças e perseguiam mais nosso filho mais velho. Inventavam motivos para acertá-lo com uma vara ou de outra forma. Diziam que ele estava causando problemas por estar crescendo.

Os Boyle disseram que têm esperança de os responsáveis pelo sequestro serem responsabilizados criminalmente. “Nosso foco agora é tentar responsabilizar aqueles que cometeram graves violações de direitos humanos contra nós e contra outros”, disse Joshua. “Perdi uma filha. Isso foi mais esmagador para mim do que os anos preso. O que eles fizeram foi crime contra a humanidade, previsto pelo direito internacional”.

O casal e seus três filhos – Najaeshi Jonah, quatro anos de idade, Dhakwoen Noah, dois anos de idade, e Ma’idah Grace, de seis meses de idade, agora estão morando em Ottawa, capital do Canadá. Caitlin é norte-americana e Joshua canadense.

O vídeo da entrevista na íntegra (em inglês) pode ser visto clicando AQUI.

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