As ruínas das cidades afundadas com a construção das hidroelétricas no rio São Francisco reapareceram. E uma extensa área que antes era tomada pela água hoje dá lugar ao solo seco e a uma vegetação rasteira.

Maior reservatório do Rio São Francisco, a barragem de Sobradinho está com apenas 5,9% de sua capacidade, nível considerado crítico.

E a tendência é que a situação fique ainda pior: a seca que atinge a região deve se manter pelo menos até novembro, quando começa o período de chuvas.

A situação acendeu o sinal amarelo de produtores irrigantes região que se consolidou como um dos maiores polos de fruticultura do Brasil, com destaque para a produção de uvas e mangas.

Desde junho deste ano, a ANA (Agência Nacional de Águas) proibiu a captação no rio todas as quartas-feiras, deixando as plantações um dia da semana sem irrigação.

Nos perímetros públicos irrigados, os produtores estão proibidos de ampliar a área de produção.

“O cenário é de insegurança geral. Não estávamos preparados para tanto tempo sem chuva”, afirma José Gualberto de Freitas, presidente da Valexport, entidade que reúne exportadores do vale do Rio São Francisco.

Este é o sexto ano seguido de seca no Nordeste –um dos motivos que explicam por que os indicadores econômicos da região têm piorado mais do que a média nacional.

Com a baixa oferta de água, parte dos agricultores deixou de lado os cultivos de ciclo curto, no qual eram produzidos melancia, melão, feijão e cebola, para concentrar-se na produção da uva, carro-chefe entre os produtores da região.

Produtor de coco e manga em um lote no perímetro de Curaçá, na região de Juazeiro (BA), Josival Barbosa afirma que custos de produção aumentaram, já que a água tem que ser bombeada de regiões cada vez mais distantes.

E o gasto com energia deve crescer ainda mais até o fim do ano, quando devem ser acionadas as bombas e flutuantes instalados em perímetros irrigados como Maniçoba, Curaçá, Salitre e Mandacaru.

“Quando dependemos dos flutuantes para captar a água, nosso gasto com energia chega a crescer 50%”, afirma Josival, que também é presidente do Instituto da Fruta, entidade que congrega produtores da região.

A seca na barragem também trouxe impactos para a produção vinícola do vale do São Francisco. “Os custos com a captação cresceram. A água está cada dia mais longe dos polos agrícolas”, diz Eurico Benedetti, diretor do Miolo Wine Group, empresa que tem origem na serra gaúcha e que hoje conta com uma vinícola na região.

AGRICULTURA FAMILIAR

Setores que dependem diretamente da barragem de Sobradinho, como a pesca, também vivem dias difíceis.

Em Remanso, cidade baiana que fica nas margens da represa, os principais frigoríficos que atuam na produção de pescado estão com as portas fechadas.

Uma única fábrica de gelo manteve as portas abertas, mas com uma produção 80% menor que a normal.

A agricultura familiar, que corresponde a 70% da produção agrícola da região, teve sucessivas quebras de safra. “O que se colhe hoje mal dá para a subsistência”, diz Emerson José, presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Juazeiro. A última vez que choveu na cidade foi em janeiro de 2016.

Sem chuvas e com perspectivas sombrias, a revitalização do rio São Francisco aparece como única saída para dar segurança hídrica à região. Mas o plano Novo Chico, promessa do presidente Michel Temer (PMDB) pouco avançou nos últimos meses.

“Temos que brigar pela recuperação nas margens e nascentes para a água florescer. Não dá para depender de chuva”, diz Paulo Bomfim (PCdoB), que assumiu neste ano a Prefeitura de Juazeiro, cidade com 221 mil habitantes, segundo o IBGE. (Folha de S. Paulo)



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