A dona de casa Maria Ramos, de 52 anos, mora no Bairro Rio Jordão, em Petrolina. No sábado (6) à noite, ela chamou os irmãos e um pequeno número de amigos para celebrar em sua casa. Era o seu aniversário de casamento. De família unida, é comum que os irmãos dividam comes e bebes no encontro que mantém a unidade da família, mas dessa vez ela pediu que não levassem nada: Apenas água. O bairro Rio Jordão fica do lado do Jatobá, na beira do Rio São Francisco, e Maria não tinha uma gota de água na torneira. E há muitos dias.

Escolhi contar essa história para não cair no clichê de vários casos tão repetidos quanto reais. Casas sem água para idosos, enfermos, crianças, estudantes, trabalhadores e milhares de pessoas que sofrem com o drama da falta de água, mesmo olhando para o rio.

Aqui falta água desde o ano passado, moço. Chega um dia, fraquinho…. Depois some de novo. A Compesa só acerta mandando a conta, no resto erra em tudo”, me disse Maria, entre a tristeza e a indignação.

Neste final de semana, choveram e-mails, comentários, áudios, vídeos e um sem fim de impropérios ao nosso Blog. A revolta contra a Compesa aumentou em números assustadores.

Mas é fato que a Companhia tem piorado. E muito. Se antes a prestação de serviço era muito ruim, agora conseguiu chegar a muito pior. Problemas de entrega de água e de esgotos estourados vão se multiplicando dia a dia, entupindo as redações (dos veículos de imprensa) e os vasos sanitários dos petrolinenses.

Este Blog perguntou a Compesa quanto ela arrecada e quanto investe mensalmente na cidade. Nunca recebeu resposta. Parece que Petrolina é uma mina de dinheiro para a Compesa, que nos devolve descaso, incompetência e, por vezes, falta de sensibilidade para uma gente que agora sofre demais.

Será que o governador Paulo Câmara ainda não enxergou que é a Compesa que puxa sua avaliação para baixo na maior cidade do Sertão? Será que a diretoria da Compesa é tão inerte, tão fraca, para não detectar o problema e avançar em ações eficazes que, ao menos, possam minorar o sofrimento de uma cidade inteira?

Sim, por que agora não falta mais água em uma parte da cidade, mas no município inteiro e seguidamente. Da Orla de Petrolina até a vila mais afastada. Isso sem falar em Rajada, Afrânio e Dormentes que sofrem dia a dia com esse descaso.

As autoridades de Petrolina precisam se manifestar urgentemente. Agora, já, imediatamente! Os senhores vereadores poderiam colocar essa pauta e se unirem, ao menos essa vez, em prol dos seus patrões: o povo que lhes confiou o voto.

O prefeito Miguel Coelho já se posicionou também sobre o descaso da Compesa. Se disse indignado e estarrecido. Esperamos que ele também transforme sua indignação em decisão política e exija um tratamento de mais qualidade para o povo que lhe confiou o mandato.

A mesma postura esperamos dos deputados, do senador de Petrolina, do Ministério Público de Pernambuco ou de quem possa levantar qualquer voz contra essa vergonha descabida e contínua. Chega de desculpas. Vamos às ações, senhores!

CB

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