Waterbuurt (em holandês – quarteirão da água) é um empreendimento residencial de última geração. Localizado no distrito de Ijburg, em Amsterdã, o complexo é composto por aproximadamente 100 residências. As casas, ancoradas no Lago Eimer, não são nada como as que estamos familiarizados.

Fruto de um projeto arquitetônico irreverente, todas as residências estão conectadas a pilões de aço. As casas, além de estarem literalmente flutuando, se movem verticalmente, acompanhando a poética da mudança da maré.

Projetadas pelo arquiteto holandês Marlies Rohmer, as casas têm um “design básico e prático”, mas, ao mesmo tempo, são altamente confortáveis. As residências ganharam vida em um estaleiro, a cerca de 65 km ao norte do Lago Eimer e, somente depois de prontas foram transportadas por uma rede de canais.

O quarteirão com as casas que flutuam

Nem todas as casas que compõem o complexo estão habitadas, ainda há residências livres esperando futuros moradores. O que, de fato, deve acontecer em breve, afinal, dois terços da população da Holanda vive sobre as águas que cortam o país.

O interesse da população em viver sobre a água aumentou após os meios de comunicação frisarem sobre o derretimento das calotas polares. Como o assunto tem sido pautado constantemente, muitos acreditam que morar em casas flutuantes ou barcos será muito mais seguro futuramente, do que viver em terra firme.

Outro fator que impulsionou o mercado foi o preço dos imóveis localizados nos grandes centros urbanos, que dispararam nos últimos anos. Em comparação às residências que estão à venda nos municípios mais populosos, os preços das casas flutuantes, por exemplo, são muito mais acessíveis.

“É muito mais seguro viver sobre a água, principalmente se levarmos em consideração a questão das inundações, que têm sido cada vez mais comuns”, relatou Koen Olthuis, um visionário da arquitetura, em entrevista à BBC. “Além disso, a maioria das grandes cidades já está densamente povoada e o preço do metro quadrado está subindo cada vez mais”, completou.

Sobre a água

“As cidades são extremamente estáticas, portanto, é normal que cada componente urbano permaneça no mesmo lugar por mais ou menos 50, 70 anos”, explicou Olthuis. “Conforme as cidades mudam, a única alternativa, geralmente, é demolir essas estruturas. Mas as casas flutuantes são diferentes, porque podem ser movidas e adaptadas. O que queremos é, basicamente, reinventar os centros urbanos para que funcionem melhor”.

Empreendimentos residenciais como o quarteirão Waterbuurt prova que viver sobre água, além de ser possível, é, em muitos casos, até melhor que viver sobre a terra. Inicialmente, promover o conceito não foi fácil, pois inúmeros fatores, sejam eles técnicos ou jurídicos, tiveram que ser reinventados.

As casas flutuantes que compõem o quarteirão Waterbuurt são construídas sobre plataformas de concreto. A estrutura, no entanto, é composta por uma espécie de aço inteiramente leve e tanto as paredes como os painéis são de madeira. Os materiais investidos na construção foram escolhidos para as casas flutuarem com mais facilidade.

Em todas as residências, os quartos e banheiros estão localizados no andar inferior. Já a cozinha e a sala de jantar estão localizadas em um rés-do-chão elevado, enquanto a área de estar principal e o terraço exterior se encontram no piso superior.

Todas as casas flutuantes são projetadas com uma série de extras que os compradores podem optar, como, por exemplo, terraços flutuantes, uma segunda entrada ou aé mesmo um calçadão ao redor da propriedade.

O projeto do bairro foi criado para que o complexo se tornar o maior assentamento sobre a água de toda a Holanda. Além de casas flutuantes, o complexo inclui garagens para barcos, parques flutuantes e até arranha-céus flutuantes.

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