Delator da Odebrecht apresenta planilha de gastos no sítio de Atibaia.

O engenheiro Emyr Diniz Costa Junior, um dos delatores da Odebrecht, entregou à Justiça Federal do Paraná uma planilha que relaciona gastos de R$ 700 mil que, segundo ele, foram destinados pelo departamento de propina da empreiteira para custear a compra de materiais de construção para a reforma feita do sítio de Atibaia, que beneficiaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A planilha discrimina quatro lançamentos entre os dias 16 e 30 de dezembro de 2010, último ano do governo Lula – de R$ 380 mil, R$ 120 mil, R$ 197,9 mil e R$ 2,1 mil com o título “Aquapolo”. Emyr disse que recebeu em dinheiro no Projeto Aquapolo, no ABC paulista, onde trabalhava na época, os valores enviados pela equipe de Hilberto Silva, que chefiava o departamento de propina.

Até então, não havia prova de que os valores gastos no sítio tinham saído do departamento de propina da Odebrecht. Além da empreiteira, também fizeram obras no sítio a OAS e o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o documento apresentado pelo colaborador foi localizado pela equipe de perícia nos discos rígidos fornecidos pela empreiteira.

O Ministério Público Federal também apresentou a Moro pedido para que sejam ouvidos novamente quatro delatores da Lava-Jato: o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, o ex-diretor Nestor Cerveró, o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, e o executivo da Odebrecht Márcio Faria.

Na denúncia, os procuradores dizem que Lula recebeu o benefício de obras no sítio como parte da propina por contratos da Petrobras que somam R$ 155 milhões

Pedro Barusco deverá ser ouvido sobre propinas pagas pelo consórcio Gasam, responsável pelas obras do gasoduto Pilar-Ipojuca. O dono da UTC deverá falar sobre propinas relacionadas ao consórcio TUC e Márcio Faria falará sobre propinas da Refinaria Abreu e Lima.

Os procuradores dizem que Cerveró será ouvido para esclarecer a participação de Lula na nomeação dele para a diretoria internacional da Petrobras e, num segundo momento, para a diretoria financeira da BR Distribuidora. Depoimentos prestados por delatores em outros processos serão adicionados à ação referente ao sítio de Atibaia.

 

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