Filme velho, ingresso caro.

Na surdina e quase na madrugada, os deputados adicionaram mais um capítulo sujo ao velho e gasto bangue-bangue de quinta que é a política brasileira.

Entra governo e sai governo, esses atores resistem, esculachando o povo brasileiro que é quem paga o ingresso e a lona do circo, além do régio salário dos palhaços.

Ou não.

Nesse espetáculo deprimente, os palhaços são os pagadores de ingresso, numa estranha inversão.

As 23:12 h, terminou na Câmara dos Deputados a votação que ampliou o uso do Fundo Partidário e Fundo Eleitoral.

Ambos representam a bagatela de 2,6 bilhões aos cofres públicos.

Verba quase 50% maior do que a de 2018.

No capítulo anterior, o Senado havia encenado um corte nas pretensões dos políticos, coisa pra inglês ver e que não daria em nada mesmo.

E não deu.

Mostrando literalmente a bunda para a sociedade, os deputados mostraram seu desprezo pelo povo e sua ganância pelo dinheiro público.

Senão vejamos:

Foi aprovada a ampliação do uso dos Fundos dos Trouxas (onde ‘trouxa é o público pagante), que vai permitir à politicalha contratar advogados para processos eleitorais.

Sem limite de gastos.

Caixa 2, portanto, já que os advogados repassarão valores sem passar por fiscalização.

Doações – leia-se propinas e subornos ilegais – não estarão mais, na prática, sob supervisão rígida da Receita Federal.

Em outras palavras, é o trem da alegria, a farra com grana que vem de todo lado.

Quer mais?

Se um político quebrar a lei eleitoral, o fundo (grana do povo) paga a multa.

Quando a politicalha esculacha dessa forma descarada a sociedade, o país entra num enorme risco constitucional (inclusive econômico), mas isso não importa a eles.

No pacote vergonhoso, estão ainda mais algumas coisitas como uso pelas legendas da grana pública para pagar juros, multas ou débitos eleitorais, compra ou locação de bens móveis ou imóveis, construção e reformas de sedes, pagamentos de conteúdo na internet e outras bandalheiras.

O projeto, se é que se pode chamar assim esse pacote mal cheiroso, vai agora para as mão de Bolsonaro, que tem o poder do veto e de colocar um fim nesse filme de quinta.

É o que a sociedade espera.

Caso não aconteça, só restará ao povo sair às ruas para cuidar de seus interesses e do destino da grana que manda pro governo.

Afinal, pagar privilégios (desse tamanho) pra políticos vagabundos e incompetentes já é demais, até para enredo de bangue-bangue tupiniquim, onde o bandido sempre vence.

Deixe uma resposta