O empresário esportivo e ex-presidente do Barça Sandro Rosell está tentando convencer a Audiência Nacional de que não lucrou à custa da seleção brasileira de futebol. Rosell, que permanece em prisão provisória por lavagem de dinheiro e organização criminosa, insistiu em sua última declaração, à qual EL PAÍS teve acesso, que sua ação como intermediário da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) só trouxe benefícios para a seleção Canarinho. “Dobramos o dinheiro dela. Por que vão se queixar? Passaram a ser a seleção mais bem paga do mundo.”

Rosell está há mais de um ano na prisão por ter se apropriado, supostamente, de 6,5 milhões de euros (28,3 milhões de reais) procedentes da venda de direitos audiovisuais de 24 partidas amistosas da seleção brasileira. Seu amigo e sócio Ricardo Teixeira, que foi presidente da CBF, obteve supostamente 8,3 milhões de euros (36,2 milhões de reais). A investigação considera que o ex-presidente do FC Barcelona lavou posteriormente esse dinheiro em Andorra. Em maio, a Confederação Brasileira de Futebol emitiu um comunicado no qual negou que a intermediação de Rosell a tenha prejudicado. “O contrato resultou em condições mais favoráveis a nossos interesses”, ressaltou essa nota.

O empresário, que pediu dez vezes, sem sucesso, para ser colocado em liberdade provisória, tentou fazer valer esse documento em sua última presença diante da juíza da Audiência Nacional Carmen Lamela. E reiterou que, apesar da suspeita da Promotoria Anticorrupção, não há risco de que vá fugir. “Sou completamente inocente, vou demonstrar isso. Mas, nesse caso hipotético, não saberia por onde começar. Não me imagino cruzando as montanhas com uma mochila.” Rosell negou ter sequer “um euro” no exterior, recordou que seu apartamento, sua família e seus negócios estão em Barcelona e lamentou que seu pai tenha de se encarregar de pagar os salários de seus empregados. “Me bloquearam tudo.”

Em sua extensa declaração de 28 de maio, Rosell relembra suas relações com Teixeira e com outros sócios e cita, entre outras coisas, um empréstimo que recebeu, de cinco milhões de euros (22 milhões de reais). O montante iria servir, inicialmente, para comprar um conjunto de residências que o Andbank iria lançar em Ordino. O projeto não seguiu em frente. Mas Rosell, em vez de devolver rapidamente o dinheiro a Teixeira, empregou-o em outros negócios. “Apareceram outras oportunidades de negócio e eu as aproveitei.”

O empresário insistiu em que os investimentos em Andorra eram propostos por dirigentes do Andbank. “Gostaria que o banco viesse aqui e contasse tudo”, disse em alusão a documentos apreendidos nos quais são citadas grandes quantidades de dinheiro como “devolução de efetivo”. Rosell negou que se tratasse de retiradas de dinheiro e afirmou que eram os investimentos que a instituição financeira administrava.

E.P.

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