As pessoas com deficiência enfrentam inúmeras dificuldades, todos os dias de duas vidas. Dificuldades relacionadas à locomoção são algumas das mais corriqueiras. E ainda assim, pouco a respeito costuma ser feito. Dessa forma, não é incomum encontrarmos, em ambientes e espaços públicos, o total despreparo para receber pessoas com necessidades especiais. E isso inclui as escolas e instituições ligadas à educação.

Com isso, muitos têm seu direito básico à educação cerceado, uma vez que as dificuldades se tornam tantas que acabam por inviabilizar o acesso e a permanência. O que acaba, por si só, gerando grande evasão escolar dessas pessoas. No entanto, outras tantas pessoas, que possuem algum tipo de deficiência, acabam realizando um grande esforço para seguir em frente e conquistar seus sonhos.

Um bom exemplo de força de vontade e grande dedicação é o de um jovem de El Salvador, chamado Jaime Osmín Pérez Luna, de 16 anos. Ele mora em uma fazenda, chamada Colon, em Morazán. Pérez, que pertence a uma família humilde de agricultores, foi diagnosticado com paralisia cerebral aos nove meses de idade. Portanto, ele não possui força nas pernas, e nem mesmo consegue manter o equilíbrio do corpo de pé. Assim, para se locomover, ele teve que aprender a rastejar.

A dificuldade motora não o impediu de sonhar e, Pérez, desde muito novo, dizia querer melhorar sua qualidade de vida e de seus familiares. Para isso, ele sabia que frequentar a escola e se formar era imprescindível. Dessa forma, ele passou a engatinhar até à escola todos os dias. Ao todo, o adolescente percorre 2 km de sua casa até a escola.

Realizando um sonho

De acordo com o La Prensa, o dia de Pérez se inicia às 05h30 todos os dias. Depois de se arrumar, ele sai de casa às 06h15, chegando à escola por volta das 07h15. Ao todo, ele percorre um pouco mais de 4 km, cerca de 2 km para ir e aproximadamente a mesma quantidade, no caminho da volta.

“Ele não falta às aulas. Há alguns dias, estava chovendo e a uns 800 metros de casa havia um lamaçal. Eu disse a ele para não ir, teria que atravessar todo o barro. Porém, ele foi assim mesmo”, disse a mãe de Pérez, Matías Luna. “Ele diz que não é a mesma coisa ir à escola ou receber as anotações de seus colegas sobre aula”.

Para Pérez, seu maior desejo agora, é ir à escola sem ter que engatinhar até lá. Porque, de uma coisa ele tem plena convicção: ele não irá parar de estudar, independentemente das dificuldades que a vida colocar em seu caminho. “Minha paixão é estudar. Já consigo ler e quando eu crescer quero trabalhar em um banco para ajudar minha família, apoiá-los e para que eles parem de trabalhar no campo”, disse Pérez.

Ajuda

A história de vida de Pérez acabou chamando muita atenção das pessoas e do governo de El Salvador, que ao saber sobre seus feitos decidiu ajudá-lo. Ao adolescente foi feita a doação de um quadriciclo, para que ele pudesse chegar à escola com mais conforto e rapidez. Entretanto, ele deseja ter uma cadeira de rodas elétrica, para que assim ele possa se locomover em espaços fechados com mais dinamismo e independência.

“Meus filhos trabalham e eu também, é por isso que ele só vai à escola, já que não podemos deixá-lo. Ele recebeu uma cadeira de rodas, mas ele só a usa quando meus filhos não vão trabalhar, pois ele só pode sair se há alguém para empurrá-lo”, disse Matías. O adolescente tem sonhado com a independência e tem se esforçado para economizar todo o dinheiro possível, para poder comprar a tão sonhada cadeira.

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