Sim, um marco na história. Recentemente, pesquisadores confirmaram ter encontrado a presença de água, em forma de vapor, na atmosfera de um planeta. O astro está localizado em uma região, conhecida como “zona habitável”. As informações foram obtidas pelo telescópio espacial Hubble. Para pesquisadores, o planeta possui algumas características, que possibilitam as mínimas condições, para o possível desenvolvimento de formas de vida.

“Encontrar água em um planeta potencialmente habitável é incrivelmente animador. Isso nos traz a uma questão fundamental: a Terra é única?”, informou Angelos Tsiaras, principal autor do trabalho. O estudo de Tsiaras foi elaborado a partir de dados públicos, produzidos por Björn Benneke. Benneke é astrônomo planetário, na Universidade de Montreal, no Canadá. 

Recentemente, a equipe de Benneke publicou a sua própria análise sobre o K2-18b na plataforma arXiv, que hospeda artigos científicos que ainda não foram publicados em periódicos com revisão por pares.

O planeta é chamado de K2-18b e fica a 110 anos-luz de distância, na constelação de Leo. O astro é considerado habitável porque, ao ser banhado pela quantidade certa de calor, permite que a água exista na forma líquida, em sua superfície. A zona habitável é a região ao redor de uma estrela, onde as temperaturas são suficientemente favoráveis para que a água exista na forma líquida, na superfície de um planeta.

Após analisar os dados, obtidos pelo Hubble, os pesquisadores informaram que o planeta, provavelmente, possui uma atmosfera diferente da Terra. “Não se trata de uma “segunda Terra”, disse Tsiaras. Entretanto, para o pesquisador, o astro “é o melhor candidato para habitabilidade que conhecemos no momento”.

K2-18b

O K2-18b foi descoberto, pela primeira vez, em 2015. O astro é duas vezes maior do que o nosso planeta e oito vezes mais pesado. O K2-18b possui uma gravidade poderosa, que dificultaria uma caminhada sobre sua superfície. Em suma, o K2-18b está em órbita próximo a uma estrela anã vermelha, muito menor e mais fria do que o nosso sol.

De acordo com Laura Kreidberg, astrônoma do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, “o K2-18b pode ser melhor descrito como um “mini-Netuno” do que uma “super Terra”. Isso porque extensas pesquisas, com modelos computacionais, mostram que, na faixa de 1,6 a 1,8 vezes da massa da Terra, os planetas tendem a se tornar enormes e gasosos, em vez de rochosos.

Em suma, para constatar a presença de vapor de água, os pesquisadores tiveram que utilizar um algoritmo, para processar as informações, captadas pelo telescópio Hubble. Além de encontrar a presença de água, a equipe científica identificou também elementos hidrogênio e hélio na atmosfera do K2-18b.

Novos planetas

Novos planetas potencialmente habitáveis podem ser encontrados, nos próximos anos, graças ao lançamento telescópio espacial TESS. Lançado em 2018, o equipamento, somente nos últimos meses, já detectou diferentes planetas, localizados próximos à estrelas brilhantes.

Em comunicado oficial, de acordo com Ingo Waldmann, coautor do estudo, “com tantas novas super-Terras, previstas para serem encontradas nas próximas décadas, é provável que essa seja a primeira descoberta de muitos planetas potencialmente habitáveis”.

Desde que foi lançado, em abril de 1990, o telescópio espacial Hubble contribuiu com inúmeras descobertas. O telescópio, que está localizado a 600 quilômetros de distância da Terra, deve ser substituído a partir de 2021. Seu sucessor, supostamente, será o telescópio James Webb. Para os astrônomos, esse telescópio será cem vezes vezes mais sensível que o Hubble.

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