Indignados pela realização de um fórum regional na Univasf, em Juazeiro (BA), que discutiu a questão da sustentabilidade na mineração, representantes de várias entidades e movimentos populares emitiu uma nota de repúdio pelo fato de o evento ter “excluído” essas classes.

Confiram a íntegra da nota:

I Fórum Regional de Sustentabilidade, Inovação e Desenvolvimento na Mineração” não contou com participação de atingidos pela mineração

Olá, companheiros e companheiras,

As organizações abaixo listadas vêm, mais uma vez, denunciar a insustentabilidade do modelo minerário em curso no Brasil. O capital mineral, como é de amplo conhecimento, diariamente explora as riquezas do país, contamina a natureza, explora trabalhadores/as e inviabiliza a vida de comunidades que veem seus territórios serem tomados pelas empresas.

Na contramão desta realidade, ocorreu na última sexta-feira, 27 de novembro de 2020, o “I Fórum Regional de Sustentabilidade, Inovação e Desenvolvimento na Mineração” em Juazeiro. O evento, realizado pela Mineração Caraíba S/A, Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Governo do Estado, Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e outros entes, entretanto, não contou com a participação de NENHUM/A representante das comunidades atingidas pela mineração no estado da Bahia. Como falar em “sustentabilidade”, sem sequer dar espaço àqueles e àquelas que diariamente vivenciam as mazelas geradas pelo capital mineral?

As empresas do setor e Estado tentam, por meio de eventos como este e de ações de mídia, criar uma imagem de que trazem o benefício, o tal “desenvolvimento” para o Semiárido. A exemplo disso, o geólogo José Ricardo Pisani, em matéria na CBPM, afirma que “(…) Em locais como o sertão, que não tem agricultura, nem pecuária, a mineração é uma solução (…)”¹. E fica a pergunta, como o povo no sertão viveu até hoje? Senão da agricultura, pecuária e ainda, muita resistência e luta?

Nesse sentido, é urgente democratizar e popularizar o debate sobre a mineração. Sob esse discurso de “sustentabilidade”, a empresa de mineração Vale S/A matou 259 pessoas em Brumadinho-MG no ano passado. Como um modelo que busca apenas o lucro, a diminuição de custos e a maior exploração em pouquíssimo tempo pode se dizer sustentável? Ademais, como pode a Univasf apoiar o referido evento que excluiu a participação dos/as atingidos e atingidas da mineração?

Reafirmamos o direito das populações atingidas pelos empreendimentos de mineração, direta ou indiretamente, de serem ouvidas e fazerem parte de todo e qualquer evento que esteja a decidir sobre o futuro de suas vidas e, sobretudo, reforçamos que sustentável é o modo de vida das comunidades sertanejas, que há séculos vêm cuidando da caatinga e produzindo alimento para o povo brasileiro.

¹http://www.sde.ba.gov.br/index.php/2018/11/12/diamante-na-bahia-uma-janela-de-oportunidades/

Assinam esta nota:

Articulação de Enfrentamento ao Modelo Mineral e em Defesa da Vida na Bahia

MAM – Movimento Pela Soberania Popular na Mineração

CPT – Comissão Pastoral da Terra Bahia

MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores

CIMI – Conselho Indigenista Missionário

CETA – Movimento dos Trabalhadores Rurais Assentados e Acampados da Bahia

Grupo de Pesquisa GeografAR (UFBA)

CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço

Articulação Estadual de Fundo e Fecho de Pasto

IRPAA – Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada

Fonte: Blog do Carlos Britto

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