Em 1980, nos Estados Unidos, uma pedra de crack custava apenas US$ 5. Devido ao seu preço, o crack espalhou-se rapidamente em Nova York e Los Angeles. A droga tornou-se popular em todo o país em 1985. Na época, 5,8 milhões de pessoas já haviam aderido ao crack.

A diversão não durou muito. A droga, além de ter destruído inúmeras famílias, transformou os bairros das grandes cidades em campos de guerra. Diante da presença devastadora da droga, a polícia decidiu agir.

Em 1988, a Administração de Fiscalização de Drogas, o famoso DEA, para tentar conter o avanço do crack, realizou uma operação e conseguiu apreendeu 60.000 quilos de cocaína. O órgão, com isso, expôs claramente sua vontade: combater o tráfico.

Infelizmente, as inúmeras ações de combate às drogas não conseguiram conter a popularidade que o crack havia conquistado.

Epidemia de crack

No início da década de 1980, traficantes decidiram transformar a cocaína em crack. Por ser mais fácil de produzir e ser mais barata, a droga tornou-se altamente lucrativa. De acordo com documentos oficiais, o crack ganhou popularidade quando um exército guerrilheiro apoiado pela CIA na Nicarágua passou a vender o entorpecente nos bairros mais pobres de Los Angeles para derrubar o governo socialista do país.

Com muitos americanos aderindo à droga, surge, então, no sul da Flórida, uma gama de “laboratórios de conversão” especializados em produzir tanto crack quanto cocaína. Em 1983, o crack começou a aparecer em determinados bairros da cidade de Nova York. Embora a maioria dos primeiros usuários fossem profissionais de classe média, o crack, rapidamente, invadiu os bairros mais pobres.

Por valer apenas US$ 5, a droga começou a ganhar adeptos. Sua popularidade se espalhou na mesma velocidade que um incêndio. Em 1986, as emergências de hospitais relacionadas ao crack aumentaram 110% – de 26.300 para 55.200. Entre 1984 e 1987, os incidentes quadruplicaram.

A droga logo foi associada ao crime. De acordo com um estudo realizado em 1988, só na cidade de Nova York, 32% de todos os homicídios estavam ligados ao crack – e 60% dos homicídios relacionados às drogas.

Repressão

Em setembro de 1989, o presidente George Bush fez seu primeiro discurso de posse no Salão Oval da Casa Branca. Durante o discurso, o presidente mostrou de forma infame um saco plástico contendo crack.

“Isso é crack, apreendido há poucos dias por agentes antidrogas em um parque do outro lado da rua da Casa Branca”, explicou. “Isso mostra como a droga tem se espalhado cada vez mais”.

A ideia de que traficantes estavam vendendo crack nas proximidades da Casa Branca alimentou o temor público. Embora apresentar a droga em seu discurso tenha sido parte de uma armação política, Bush disponibilizou US$ 45 bilhões para combater a popularidade do crack.

A maior parte desse dinheiro foi repassada às autoridades, que deveriam aplicar fortemente da Lei do Abuso de Drogas, imposta em 1986. Pessoas que eram apanhadas com apenas cinco gramas de crack tinham que cumprir pena mínima de cinco anos – em relação à cocaína, para cumprir a mesma pena, as pessoas precisam portar 500 gramas.

Apesar do investimento, o crack seguiu, se manteve firme e forte. Uma pesquisa, realizada em 1997, revelou que apenas 5% dos usuários de crack, que se recuperaram disseram que pararam de usar a droga porque foram presos.

Foi somente em 1990, quando a polícia acumulava quase 900.000 prisões por porte de drogas, é que o consumo do crack começou a diminuir.

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