O vereador de oposição Gabriel Menezes rompeu o silêncio dos últimos dias e devolveu no mesmo tom as acusações feitas pelo atual presidente do PSL de Petrolina, Júlio Costa, e pelo suplente de vereador Alvorlande Cruz, acerca da comissão provisória. Ambos afirmaram a este Blog que Gabriel teria “dado uma rasteira” em seus próprios companheiros, ao pleitear a presidência local do partido. Mas segundo Gabriel, ia acontecer justamente o contrário se ele não tivesse tomado tal posicionamento.

Em entrevista concedida ao Blog, o pesselista disse que não poderia, como integrante da bancada de oposição na Casa Plínio Amorim, ver o partido “ser negociado” com o governo municipal, por Júlio Costa e Alvorlande, “em troca de cargos”, e não fazer nada.

Um dia ou dois depois da vitória de (Jair) Bolsonaro, o ex-vereador Alvorlande e o ex-presidente da comissão provisória Júlio Costa procuraram o prefeito pra botar o ‘pé no bucho’ dele, forçando a barra por cargos no governo municipal. Que eles pleiteiem os cargos que quiserem, mas não utilizando um partido que, na sua ampla maioria, não quer fazer parte do governo local”, alfinetou.

O agora ex-presidente do PSL local, inclusive, não foi poupado por Gabriel. Segundo o vereador, em 2016 o partido em Petrolina teve 17 candidatos a vereador e vereadora, mas Júlio Costa não teria votado em nenhum deles. “Quer dizer, ninguém era digno do seu apoio, de sua confiança”, declarou Gabriel.

Até mesmo na eleição presidencial deste ano, o vereador garante que o esforço de Júlio em vestir a camisa de Bolsonaro só aconteceu faltando pouco mais de uma semana do primeiro turno, quando percebeu o favoritismo do então candidato a presidente. “Ele ligou para mim dizendo que estava precisando de material, e que a gente precisava de uma votação boa para Luciano Bivar (candidato a federal eleito) em Petrolina. Eu fiz de conta que estava acreditando que ele se empenharia, e não se empenhou”, revelou.

Gabriel disse ainda que Júlio mantinha uma postura diante dele, mas quando não estava presente tentava desconstruir sua imagem. “Tenho testemunhas de que, no gabinete do vereador Domingos de Cristália, ele disse que eu não passaria dos 1.800 votos. E quando me encontrava vinha com uma conversa totalmente diferente”, disse Gabriel, que não foi eleito deputado estadual, mas obteve mais de 14 mil votos. O vereador também assegurou que Júlio não fez sequer a prestação de contas do partido no ano passado, porque onde a comissão provisória está ativa, essa prestação precisa ser feita. “Ele só correu atrás quando foi notificado este ano pela justiça eleitoral, que lhe deu 72 horas de prazo”, completou.

Comissão provisória

Gabriel considerou “uma tolice” as críticas de que teria puxado para ele a vitória de Bolsonaro e Bivar. “Não fui responsável nem pela minha vitória como vereador (em 2016), porque eu só tenho meu voto, e tive 2.346. Talvez eu conheça 346 pessoas. As outras duas mil acreditaram em Gabriel. Tenho a honra de dizer que dei minha parcela de contribuição à vitória de Bolsonaro, de Luciano Bivar, de defender um projeto novo, de um Brasil decente, livre de tantas mazelas políticas que esse cidadão, infelizmente, representa”, cutucou.

Outro ponto contestado pelo vereador foi o fato de Júlio ter dito que se surpreendeu com o anúncio de que não seria mais o presidente da comissão provisória. Segundo Gabriel, na mesma tarde da quinta-feira passada (8), quando gravou o vídeo no Recife ao lado de Marcos Amaral, presidente do PSL de Pernambuco, Júlio havia sido informado do fato. O vereador revelou ainda que esse convite da Executiva estadual para assumir o comando do partido em Petrolina aconteceu ainda no primeiro semestre. “Eu aceitei, mas comuniquei o partido que assumiria a comissão após as eleições, ganhando ou perdendo”.

Além de Gabriel, a nova comissão provisória do partido local tem também quatro ex-candidatos a vereador de Petrolina em 2016: Rogério Silva (secretário geral e terceiro suplente do PSL); Maria dos Anjos (1ª secretária); e Cleyton Alves (tesoureiro geral). Nacionalmente o partido será presidido por Luciano Bivar.

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