Governador usa de uma dureza que não foi usada com os presos rebelados (Reprodução)

Usando seu Twitter, na noite desta segunda-feira (6),  com a autoridade de governador e comandante máximo da Polícia Militar do seu estado, o Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD) mandou um recado duro aos policiais militares do Estado, que ameaçam entrar em greve em face dos atrasos salariais. “Não aceito insubordinação da Polícia Militar. Sou o governador que mais tem apoiado os PMs em suas reivindicações. Não admito e tomarei todas as medidas, inclusive as mais drásticas se preciso for, para garantir o trabalho da segurança para a população”, escreveu.

Os policiais e bombeiros militares, praças e oficiais anunciaram que interromperão as atividades na próxima segunda-feira (13), caso o Governo do Estado não atualize o calendário de pagamento dos militares da ativa, reserva e pensionistas. Atualmente, o Executivo está entregando os salários com até 60 dias de atraso. A categoria defende que o pagamento salarial seja realizado até o último dia útil do mês, como estabelece o art. 28 da Constituição Estadual. Desde fevereiro de 2016 que o Governo do Estado não cumpre a determinação.

O governador que agora ruge como um leão para a classe policial é o mesmo que miou feito gatinho para os presos nas rebeliões do sistema prisional, em janeiro deste ano, que culminou com a morte de 26 detentos em Alcaçuz, maior presídio potiguar. Na época, Faria enfrentou a crise melindrado, faltando pulso para ordenar a retomada do lugar. Foi necessária a ajuda federal para o Estado controlar novamente a prisão.

Outrora um dos estados mais tranquilos da Federação, o Rio Grande do Norte vivencia uma escalada de insegurança nos últimos anos. Com um número absoluto de 1.976 mortes violentas no ano passado (18% a mais que em 2015), foi o segundo estado com maior taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes, de acordo com o 11º Anuário Brasileiro da Segurança Pública.

Seria cômico se não fosse trágico: Robinson Faria se elegeu em 2014 prometendo que seria o “governador da segurança”.

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