Em editorial publicado nesta terça-feira (21), o jornal o Estado de São Paulo tenta jogar o presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) no mesmo saco podre onde se encontra o ex-presidente Lula, já condenado por corrupção pela Justiça e réu numa penca de processos que tramitam em várias capitais.

Como não pode atacar Bolsonaro no quesito corrupção, haja vista que até hoje nenhuma falcatrua envolvendo dinheiro foi imputada ao deputado, o Estadão trilha o mesmo caminho dos demais meios de comunicação que estão atacando-o: seu desconhecimento na área econômica.

“Ainda há um longo caminho a percorrer até a eleição presidencial de 2018, quando então se saberá quais as reais chances de cada um dos postulantes, mas o cenário atual não sugere um futuro promissor para o País. O Brasil que trabalha e preza a democracia certamente não se vê representado por nenhum dos líderes nas pesquisas de intenção de voto – Lula da Silva e Jair Bolsonaro –, pois qualquer um deles, a julgar pelo que andaram prometendo na área econômica, constitui séria ameaça à recuperação do País”, inicia o editorial.

O texto primeiro lança críticas ao ex-presidente Lula que, diga-se de passagem, são justas. Em seguida, volta suas baterias contra o ex-capitão do Exército. “O segundo colocado nas pesquisas, o iracundo Jair Bolsonaro, não fica muito atrás de Lula quando se trata de explorar a apatia do eleitorado. Oferecendo-se como alternativa ao establishment político, Bolsonaro fez sua carreira gritando em público aquilo que seus admiradores só sussurram em privado. Foi com base em refinada boçalidade – que inclui a defesa da tortura – que Bolsonaro começou a se viabilizar como candidato à Presidência, mas, ciente de que isso não basta para ser realmente competitivo, o deputado quer agora convencer a opinião pública de que, além de defender a violência, é capaz de governar”, ataca.

Ao final, o editorial joga Bolsonaro no mesmo saco de Lula ao afirmar que “há muita pouca diferença entre Lula e Bolsonaro quando o tema é economia”. Diz que ambos defendem um nacional-desenvolvimentismo semelhante ao do regime militar, cuja adoção pelos governos petistas teria sido determinante para a catástrofe que se abateu sobre o País. E acusa que ambos falam em rever o limite estabelecido para os gastos públicos.

“Assim, uma eventual vitória de um ou outro teria como resultado não apenas uma profunda cisão na sociedade, o que já seria em si terrível, mas também a retomada do mais grosseiro populismo. Ainda há tempo para evitar esse funesto desfecho”, finaliza o editorial.

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