Jean Wyllys ataca a Igreja Católica para defender as exposições acusadas de pedofilia (Wilson Dias/AB)

Em participação na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, Jean Wyllys defendeu as exposições acusadas de pedofilia atacando as igrejas, em especial a Igreja Católica. “Ninguém foi organizar nas portas da Igreja Católica protestos pelo fato da Igreja abrigar pedófilos, que estão em autoridade como padres e como bispos. Mas as pessoas foram para portas de museus acusar obras de arte de pedofilia”, acusou.

No início de sua fala, que pode ser vista no vídeo abaixo, o ex-BBB faz acusações às igrejas evangélicas, fazendo uma ligação delas com o ex-deputado Eduardo Cunha. “As igrejas no Brasil têm isenção fiscal e tributária. Portanto, é uma concessão nossa em não cobrar impostos das igrejas de uma maneira geral. Muitas igrejas pentecostais vêm servindo de lavanderia para o dinheiro da corrupção. Eduardo Cunha, que foi presidente desta Casa e que se encontra na prisão, foi preso e condenado, perdeu seu mandato por lavagem de dinheiro em igrejas evangélicas. Usava razões sociais e domínios públicos de igrejas”, disse.

“Muitas delas estão sendo usadas como lavanderia para o dinheiro da corrupção e do narcotráfico. Há narcotraficantes convertidos e agindo, em consonância com os pastores, expulsando pessoas de matrizes africanas de suas comunidades do Rio de Janeiro”, prosseguiu.

Mas o verdadeiro alvo do psolista era a Igreja Católica, sempre atacada por ele em qualquer oportunidade. “A Igreja Católica vem servindo de abrigo de pedófilos. Hollywood fez recentemente, um filme chamado ‘Spotlight’, uma história real sobre uma rede de pedofilia da Igreja Católica, conduzida por bispos e padres. De modo que a Igreja Católica se tornou um abrigo de pedófilos. Até aonde a gente sabe, a Igreja Católica é muito mais um abrigo de pedófilos do que os museus”, atacou.

Na tentativa de justificar seus argumentos, fez uma comparação torta entre as obras sacras do vaticano com o lixo exposto em Porto Alegre e São Paulo. “Estive recentemente em Roma e fui ao Museu do Vaticano e há obras estarrecedoras, se a gente for pensar, interpretar as obras do ponto de vista dos ignorantes que foram para as portas do Santander fechar o “Queermuseu”. Há muita nudez nas obras do Vaticano. Inclusive, na famosa Capela Sistina, pintada por Michelangelo, há vários nus lá. Eu vi durante a visita várias crianças levadas por seus pais, olhando aquelas obras de arte sacra”, argumentou o tolo.

“Além dessas obras de nudez, há representações estarrecedoras do martírio de santos, que representam degolas, pessoas estripadas, pessoas crucificadas. Ou seja, uma violência obscena praticada pela humanidade e representada pelas artes. E o papel das artes sempre foi este, de representar os nossos claros e escuros, fazer a gente refletir sobre o escuro que há em nós. O papel das artes é o de mostrar o bem e o mal, do feio e do bonito”, prosseguiu, sem entender que os católicos retratam a violência em quadros e esculturas para lembrar o martírio de seus santos.

“Se a gente pegar a obra ‘Criança Viada’ ou mesmo ‘Cenas do Cotidiano’, de Adriana Varejão, a gente vai perceber que aquilo é praticamente um, como dizer, parque de diversões, em termos de conteúdo, se a gente comparar com todo o acervo pré-rafaelita do Museu do Vaticano, que representa práticas muito mais cruéis da humanidade”, afirmou, numa infeliz comparação.

“Ninguém foi organizar nas portas da Igreja Católica protestos pelo fato da Igreja abrigar pedófilos, que estão em autoridade como padres e como bispos. Mas as pessoas foram para portas de museus acusar obras de arte de pedofilia”, atacou, por ignorância ou má fé. A própria Igreja Católica reconhece o problema e vem combatendo a pedofilia em seu clero. E há uma diferença enorme na comparação de Wyllys: os casos que aconteceram e acontecem na Igreja foram e são à revelia da instituição e dos fiéis. Já as exposições são defendidas abertamente.

“Se a gente fosse na interpretação dessas pessoas a gente teria que banir os crucifixos das igrejas, pois seria uma apologia à tortura. Jesus não morreu de gripe, nem de doença. Jesus o Nazareno foi torturado na cruz. A cruz é um símbolo de tortura e pena de morte. Digamos que seria a cadeira elétrica, a injeção letal daquele tempo”, afirmou o estúpido. Qualquer criança católica, ao estudar para fazer a Primeira Comunhão, aprende que a cruz significa para os cristãos o sofrimento e o sacrífico daquele que deu sua vida por todos nós.

Por fim, para “coroar” a longa lista de bobagens, disse uma idiotice digna de seus discursos: “O que me parece é que esse movimento todo quer construir uma cortina de fumaça para apagar os crimes dos quais é acusado este governo que nasce de um golpe, do qual, participaram quase todos que hoje gritam contra a exposição ‘Queermuseu’. Oh! Que coincidência. Todos aqueles que estão incomodados com o “Queermuseu” participaram do golpe contra a democracia”.

O que incomoda não são as ideias tortas de Jean Wyllys. O desgosto é saber que um bocado de gente acredita nelas. 144.770 fluminenses votaram nele nas eleições de 2014.

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