Presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) e do Sindicato dos Professores da Rede Particular de Pernambuco (Sinpro), Helmilton Bezerra acredita que a reforma trabalhista – aprovada em 2017 – fez o país mergulhar na informalidade do emprego. O sindicalista, que cumpriu ontem (13) em Petrolina uma agenda interna, não escondeu sua preocupação com a atualidade dos números provocados pela reforma.

O Brasil é um país onde a ‘uberização’ do trabalho é uma das maiores do mundo. Temos em torno de 38 milhões de trabalhadores que usam sua moto, bicicleta ou carro, e alguns já estão até mesmo a pé”, alertou.

Segundo Helmilton, essas pessoas são desprovidas de quaisquer tipos de direitos. “É um trabalho sem jornada, sem salário, sem previdência. É uma brutalidade, mas infelizmente essa é a realidade do Brasil hoje”, lamentou.

Helmilton não poupa críticas ao presidente Jair Bolsonaro, o qual considera “um fantoche político” que, enquanto parlamentar sempre votou contra a reforma da Previdência e processo de privatizações além de ser “subserviente” à gestão do norte-americano Donald Trump. “O povo brasileiro tem sentido que o governo não tem um programa econômico definido para gerar empregos, para desenvolver o país. Não tem programa social. Pelo contrário, há um desmonte. E sob o ponto de vista da política internacional, é de submissão aos Estados Unidos. Obviamente que o que preserva Bolsonaro é sua política econômica, alinhada com os grandes interesses do capital”, ressaltou.

Autocrítica

Apesar disso, Helmilton não deixa de fazer uma autocrítica em relação aos governos que apoiou. Ele lembrou da famosa frase proferida pelo então presidente Lula, ao descrever a grave crise econômica que se anunciava na década passada como uma ‘marolinha’. Também afirmou que, mesmo o ex-senador Aécio Neves (PSDB) tendo orquestrado as ‘pautas-bombas’ contra o Governo Dilma, após ser derrotado em 2014 para a petista, que foi reeleita presidente da República, a própria Dilma também queria apresentar reformas sem dialogar com a sociedade, levando ao afastamento das entidades sindicais.

Helmilton destaca que, mesmo após a reeleição, Dilma volta a se alinhar com representantes fortes do capitalismo e traz para pautas temas antipopulares como a desoneração de folhas e a própria reforma previdenciária.

Ele reconhece também que o bloco governista à época nunca conseguiu fazer maioria das bancadas no Congresso Nacional – nem com Lula, nem com Dilma. “Essa maioria seria uma base mais ideológica com PDT, PCdoB, PSB. Nós não conseguimos e tivemos que flertar com o Centro, que é muito oportunista, e não só no mal sentido. A oportunidade do Centro é a oportunidade do poder. Quando a economia ia muito bem, todo mundo era ‘Lulinha paz e amor’, ‘Dilma paz e amor’. Quando vem a crise, aí dizem ‘a gente não vai pagar essa crise’, porque a lógica do capital é sempre ganhar”, ponderou.

Fonte: Blog do Carlos Britto

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