Lula diz que doará imóveis ao MTST se Justiça provar que são seus

SÃO BERNARDO DO CAMPO – Em
visita a uma ocupação do Movimento dos
Trabalhadores sem Teto (MTST) no ABC,
neste sábado, 21, o ex-presidente Luiz
Ignacio Lula da Silva voltou a afirmar que
os processos a que responde na Justiça
são fruto de perseguição política e
ironizou as acusações de que seja dono de
imóveis não declarados. Em um discurso
aos sem-teto da ocupação, Lula disse que se conseguirem provar que o triplex
no Guarujá, o apartamento vizinho à sua cobertura em São Bernardo do
Campo e o sítio de Atibaia forem seus, ele vai doá-los ao MTST.

“Estejam preparados, porque vocês podem ganhar dois apartamentos e uma
chácara. Se conseguirem provar que são meus, serão seus. Pode avisar ao
Moro (juiz Sérgio Moro)”, disse Lula sob os aplausos dos sem-teto que
acompanhavam seu discurso. Em apoio à ocupação do MTST, que reúne mais
de sete mil famílias, Lula disse que o terreno de cerca de 70 mil m2 em que
estão instaladas não estava destinado a cumprir qualquer função social, e o
movimento agiu corretamente ao ocupar o local.

“Nesse terreno não teria uma creche, uma escola, um hospital ou moradias
populares. Então, vocês estão certos de ocupar para conseguirem um
moradia digna”, afirmou. Segundo Lula, as mais de sete mil família da
ocupação, chamada “Povo sem medo São Bernardo do Campo” e que
considerada a segunda maior da América Latina, são compostas de pessoas
que perderam seus empregos, ou não conseguem pagar aluguel. Por isso, o
ex-presidente defendeu uma negociação pacífica com as autoridades e o seu
proprietário, a Construtora MZM, a fim de viabilizar a um projeto de
moradias populares naquela área.

“Quero, por esse microfone, falar com o prefeito, com o governador, com o
presidente golpista e com o povo brasileiro, que aqui tem homens, mulheres,
pais e mães de família que não querem confusão. Querem um teto para se
abrigarem do calor e do frio. E queremos que os vizinhos sejam solidários
com essas pessoas. Aqui não tem bandido e muito menos bandida. Nem
querem também fazer daqui uma favela. Querem apartamentos iguais aos
que todos moram. Que na próxima reunião tenha uma solução amigável.
Agora, porque o presidente golpista não compra esse terreno?”, questionou o
ex-presidente, que está em pré-camapnha para 2018, referindo-se ao
presidente Michel Temer (PMDB).

 

A ocupação, que fica no bairro Assunção,
em São Bernardo do Campo, teve início em setembro e os organizadores
aguardam uma reunião a ser marcada pelo Grupo de Apoio às Ordens de
Reintegração de Posse (Gaorp), do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
O Goarp é formado por representantes dos governos federal estadual e
municipal, além de representes do proprietário do terreno e do MTST. O
advogado das famílias, Roberto Lemos, explicou que já foi expedida uma
ordem de reintegração de posse, mas o juiz do caso determinou que a
sentença somente será cumprida depois da reunião de conciliação no Gaorp.
— Mas vamos entrar com um pedido de suspensão da ordem de reintegração
em Brasília. Entendemos que esse terreno não cumpre nenhuma ação social
e, além disso, tem uma dívida de R 500 mil em IPTU somente neste ano –

afirmou Lemos. Além do líder do MTST, Guilherme Boulos, participaram do
evento na ocupação nesta tarde a senadora Gleide Houfman, presidente do
PT, e o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP).

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