O escritor britânico Vidiadhar Surajprasad Naipaul, mais conhecido como V. S. Naipaul, morreu aos 85 anos, informou sua família neste sábado.  Prêmio Nobel de Literatura em 2001, ele nasceu em Chaguanas, perto de Porto Espanha em Trinidad e Tobago, em uma família descendente de imigrantes procedentes do norte da Índia. 

“Foi um gigante em tudo o que fez e morreu rodeado daqueles que o amavam, tendo vivido uma vida cheia de uma criatividade maravilhosa e esforço'”, declarou sua esposa, Lady Naipaul, em um comunicado. Em 1961, o escritor começou sua carreira literária com Uma casa para o Sr. Biswas, um romance em que o protagonista é um retrato de seu pai e que deu a ele reconhecimento mundial. Outra de suas grandes obras foi Uma curva no rio (1979). 

O avô de V.S. Naipaul fugiu da Índia para trabalhar em uma plantação de açúcar e seu pai foi jornalista e escritor. Cresceu em um meio humilde, mas que não o impediu se mudar aos 18 anos ao Reino Unido para estudar na Universidade de Oxford onde, graças a uma bolsa, se graduou em Arte em 1953.

Escreveu seu primeiro romance estando em Oxford, mas não foi publicado. Deixou a universidade em 1954 e encontrou um trabalho na National Portrait Gallery de Londres. Seu primeiro livro publicado, O Massagista Místico, em um princípio não foi bem recebido pela crítica, mas no ano seguinte, em 1956, ganhou seu primeiro prêmio literário: o John Llewellyn Rhys Memorial Prize para autores jovens.

Ganhou vários outros prêmios literários, entre eles o Bookers Prize em 1971 e o T.S. Eliot de Escrita Criativa em 1986, e é doutor honoris causa pelas universidades de Saint Andrew, Columbia, Cambridge, Londres e Oxford.

Também recebeu distinção da rainha Elizabeth da Inglaterra em 1989. “Quando aprendi a escrever, me converti em meu próprio professor, me fortaleci, e essa fortaleza está comigo até hoje”, se descreveu durante uma entrevista em 2010 para a agência Reuters.

Naipul tinha fama de ser direto e contundente em suas declarações e afirmou, certa vez, que a literatura contemporânea em castelhano não é interessante e que os escritores latino-americanos são culpados de “negligencia intelectual”. Do escritor espanhol Pío Baroja disse que seu Zalacaín, O aventureiro é “uma autêntica tolice” e do argentino Jorge Luis Borges afirmou: “Sua poesia é de escape. Engrandece o passado com falsidades. Deveria reconhecer que sua história é esquálida”.

Durante uma entrevista ao EL PAÍS em 2015 ele e sua esposa descreveram seu estilo como: verdade, transparência e honestidade. “A verdade absoluta não existe, pois está sempre mudando, mas é preciso fazer o máximo esforço para se aproximar o máximo possível da verdade. Ele passou a vida voltando à Índia, falando sobre o tema, voltando a examinar o país de diferentes pontos de vista”, assinalou sua esposa Nadira Khannum em sua casa do bairro de Chelsea em Londres.

Durante a mesma entrevista foi também muito contundente com o radicalismo islâmico. “Não tenho medo porque na verdade são débeis e seria muito fácil acabar com eles, destruí-los, se as grandes potências entrassem em acordo. Todo esse discurso islâmico tem pouca substância”.

E.P.

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