A crise na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, em intervenção federal desde fevereiro, deixou mais uma vítima na madrugada deste sábado. Uma mulher de 61 anos estava internada no terceiro andar do hospital particular Santa Martha, em Niterói, quando foi alvo de bala perdida, segundo confirmou a Polícia Civil em um comunicado. A vítima levou um tiro no rosto e está internada em estado grave, porém estável, na UTI, com o risco de perder a visão de um dos olhos.

A mulher, cuja identidade não foi divulgada, estava internada há 18 dias para realizar exames pré-operatórios, para se submeter a uma cirurgia na vesícula. “Minha irmã, que estava com ela no quarto, ao ouvir o tiroteio levantou e foi para a janela. Aí minha mãe pediu pra que ela saísse da janela e se abaixasse. Quando minha irmã se virou, minha mãe estava ferida. Ela foi socorrida prontamente e agora estamos aguardando para ver o que vai acontecer”, contou o filho da idosa ao portal G1. A bala entrou por baixo do olho direito e está alojada na parte de trás da cabeça. Ela ainda não foi retirada porque há muitos coágulos na região e os médicos estão fazendo exames específicos.

A Polícia Militar informou que durante a madrugada, agentes do 12º Batalhão faziam uma operação na comunidade Souza Soares, que fica próxima ao hospital. “Ontem teve muito tiro, barulho de baile, fogos, tudo misturado. De repente, um estouro bem forte, cada vez mais perto e eu fui para o corredor do hospital”, disse ao G1 uma paciente que estava no quarto ao lado da vítima. “A nossa janela do quarto é virada para o morro. Quando eu chego no corredor do hospital, tinha uma moça sentada no chão chorando. Eu perguntei para ela o que aconteceu, abaixei, abracei ela e ela só falava: ‘minha mãe, minha mãe, minha mãe!’. Chamei a enfermeira para ver o que tinha acontecido e a mãe dela estava com um tiro no olho”.

Os índices de violência no Brasil bateram um novo recorde em 2017, ano em que foram registrados 63.880 homicídios, um aumento de 2,9% em relação a 2016, segundo novos dados da ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Isso significa que 175 pessoas assassinadas por dia, a um ritmo superior de sete por hora. O caso do Rio de Janeiro vem sendo acompanhado com lupa nos últimos anos de falência econômica do Estado, que viu suas instituições de segurança pública se deteriorarem rapidamente. Em fevereiro deste ano, o Governo de Michel Temer decretou uma intervenção federal até 31 de dezembro deste ano, transformando o general Walter Braga Netto em máximo responsável pela segurança do Estado, com plenos poderes executivos. Operações policiais se intensificaram em favelas e bairros periféricos, mas o número de homicídios permanece estável em relação ao ano anterior, enquanto as mortes por intervenção policial aumentaram.

E.P.

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