O novo primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, terá o Governo com a maior presença de mulheres na história do país. À espera da lista completa de ministros – que deve ser anunciada nesta quarta-, o EL PAÍS apurou que o Conselho de ministros (gabinete) terá oito mulheres e dois homens. Elas ocuparão postos considerados chave para o poder Executivo, como o ministério da Fazenda, que será ocupado pela conselheira (secretária) de Fazenda da Andaluzia, María Jesús Montero, e da Administração Territorial (relações com as regiões), que irá para a deputada catalã Meritxell Batet. É difícil exagerar a importância de ambos os cargos. A primeira terá que administrar as contas públicas e o orçamento – isso se for mantido o de 2018, e se o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de Sánchez conseguir pactuar o de 2019. Já a catalã terá a missão de administrar a crise territorial aberta pelo separatismo de um setor da população na Catalunha.

Montero é, por enquanto, a segunda andaluza no gabinete, depois da confirmação de que a cordobesa Carmen Calvo será vice-presidenta e ministra da Igualdade. Trata-se da figura mais veterana no gabinete que a presidenta regional da Andaluzia, Susana Díaz, formou em 2015, quando Montero foi reconduzida ao cargo após 11 anos participando ininterruptamente do Governo andaluz. Ocupava a pasta regional de Fazenda e Administração Pública desde 2013, e eram conhecidas suas disputas com o ministro da Fazenda do Governo anterior.

María Jesús Montero Cuadrado (Sevilla, 1966), formada em Medicina e Cirurgia, mestra em Gestão Hospitalar pela Escola de Negócios EADA, é casada e tem dois filhos. Meritxell Batet Lamaña (Barcelona, março de 1973) é licenciada em direito pela Universidade Pompeu Fabra (graças a uma bolsa pública), um diploma que se orgulha de ter obtido enquanto trabalhava como garçonete. Foi professora de Direito Administrativo e também de Direito Constitucional.

A atual secretária de Estudos e Programas na Comissão Executiva Federal do PSOE foi colaboradora de Narcís Serra na primeira secretaria do Partido Socialista da Catalunha (PSC) e diretora da Fundação Carles Pi i Sunyer de Estudos Autonômicos e Locais. Integrou-se como independente à lista eleitoral do PSC em 2004, mas posteriormente se filiou ao partido. Atualmente é deputada nacional por Barcelona e porta-voz de Administrações Públicas da bancada socialista.

Outro dos cargos de maior poder será entregue ao secretário de Organização do PSOE, José Luis Ábalos, ministro do Fomento (obras públicas). A escolha de Ábalos tem um grande significado para Pedro Sánchez, já que esse cargo tem um enorme poder. Trata-se da carteira investidora do Estado, com a qual se pode igualar, equilibrar, beneficiar e prejudicar as comunidades autônomas (unidades equivalentes aos Estados brasileiros). Fontes próximas a Sánchez afirmam que o objetivo é “tornar o território coeso” e, portanto, atender às comunidades mais prejudicadas, embora se reconheça que os limites orçamentários condicionarão o esforço de equilibrar as desigualdades. Em Governos anteriores, os ministros escolhidos para esse cargo eram da máxima confiança do presidente do Governo.

E.P.

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