A candidatura presidencial do deputado federal Jair Bolsonaro pelo PSL criou um desconforto na Frente Popular. Em entrevista, durante a coletiva de filiação do parlamentar, o presidente nacional da sigla, Luciano Bivar, afirmou que procurará o governador Paulo Câmara (PSB) para tratar da candidatura de Bolsonaro.

A costura de uma aliança harmônica, contudo, não será tão simples para se resolver em uma simples conversa. Com partidos como o PDT, PCdoB e a possibilidade de uma aliança com o PT, o PSL se torna um “estranho no ninho” da base governista, que já começa a gerar incômodo, inclusive, na própria legenda socialista.

A agenda conservadora do presidenciável contrasta com o socialismo de centro-esquerda do PSB. As diferenças já provocaram reações. Presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira avisa que imaginar uma aliança da agremiação com Bolsonaro é “loucura”. “É uma loucura achar que um partido socialista como o PSB vai apoiar Bolsonaro. Se ele for fazer campanha, será em um outro palanque, não no nosso. É uma candidatura radicalmente oposta aquilo que pensamos”, afirmou.

O dirigente, no entanto, pondera que alianças locais não se confundem com as nacionais. Segundo ele, qualquer partido é livre para apoiar candidaturas regionais do PSB, mas isso não representa um alinhamento. O deputado federal Danilo Cabral também garante que “não existe possibilidade do PSB apoiar Bolsonaro”. Ele afirma que a viabilidade do PSB estar no mesmo palanque do partido do presidenciável é “mais uma das contradições do sistema eleitoral”.

“Esse tipo de aliança não é um privilégio de Pernambuco, mas do sistema eleitoral brasileiro. É mais um exemplo da distorção do nosso sistema. Isso só reforça a necessidade de uma reforma política”, pondera. O líder do Governo, Isaltino Nascimento (PSB), afirmou que é preciso separar as questões locais da nacional.

“A questão local é pontual. Cada partido tem suas alianças nacionais. Teremos o PDT no palanque, que tem a candidatura de Ciro Gomes e o PCdoB, que terá a candidatura de Manuela D’Ávila. Nem por conta disso vamos estar alinhados a esses partidos”, ponderou. Questionado se essas siglas ficariam desconfortáveis com a presença do partido de Bolsonaro no palanque, ele desconversou: “O mais importante é o projeto majoritário”. (Blog da Folha).



[EA]

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