Em Monte Ikeno, no Japão, a mil metros abaixo do chão, você será capaz de encontrar um lugar, no mínimo, estranho. Ele tem vários nomes e você pode escolher. Oficialmente, por lá, ele se chama Super-Kamiokande, já popularmente, ele é reconhecido como Super-K. Mas aqui no Brasil, você já deve ter ouvido falar dele com outro nome: Detector de Neutrinos.

A gigantesca câmera dourada é muito parecida com o esconderijo de um super-vilão dos quadrinhos ou até mesmo de um cientista do mal nos cinemas. Mas a verdade é que você deve estar se perguntando: o que é um detector de neutrinos? Mas primeiramente você precisa saber o que é um neutrino. Vamos um passo de cada vez, tudo bem?

Detector de Neutrinos

Para começar, você precisa saber que os neutrinos são partículas subatômicas que viajam pelo espaço e atravessam a matéria sólida como se fosse ar. Entender os neutrinos é um passo elementar para entender o espaço e tudo o que há nele. Para você ter uma ideia, estudar essas partículas significa que podemos entender quando as estrelas estão morrendo por aí no espaço. Isso nos permite conhecer mais sobre o que há no universo.

Mundo subatômico

Uma das celebridades da ciência, Neil de Grasse Tyson, afirmou que os neutrinos são a presa mais evasiva do universo. Ele chegou a explicar que a máquina que detecta neutrinos,- a maquina em questão nessa matéria, no caso – fica tão abaixo da terra para impedir que outros elementos e partículas entrem. “A matéria não representa nenhum obstáculo para um neutrino. Um neutrino poderia passar por cem anos-luz de aço sem diminuir a velocidade”, afirmou Neil.

Mas por que os neutrinos são tão importantes para estudar as estrelas? Momentos antes de uma estrela entrar em colapso, ela neutraliza os neutrinos, de modo que a Super-K atua como uma espécie de sistema de alerta antecipado, dizendo-nos quando devemos observar esses deslumbrantes eventos cósmicos. Ou seja, ele nos antecipa um colapso de uma estrela, ou seja, de uma Supernova.

Dr. Yoshi Uchida, do Imperial College London, afirmou em uma entrevista ao site Business Insider que “se há uma supernova, uma estrela que entra em colapso e se transforma em um buraco negro, algo como a Super-K é um dos poucos objetos que podem ver os neutrinos dele”.

Como a máquina funciona?

A mil metro de profundidade, como já dito anteriormente, a Super-K tem a mesma altura que um prédio de 15 andares.Ele fica cheio de água super pura, porque através dessa água hiper-limpa, os neutrinos conseguem viajar mais rápido que a velocidade da luz. Ao viajarem lá dentro, luz são disparadas, podendo acompanhara trajetória.

“Se um avião está indo muito rápido, mais rápido que a velocidade do som, ele produzirá som – uma grande onda de choque – de um modo que um objeto mais lento não consegue acompanhar.  Da mesma maneira que uma partícula passa pela água, se vai mais rápido que a velocidade da luz na água, também pode produzir uma onda de choque de luz “. A câmara é forrada com 11.000 lâmpadas de cor dourada. Estes são detectores de luz incrivelmente sensíveis chamados Photo Multiplier Tubes, que podem captar essas ondas de choque.

Além disso, o estudo dos neutrinos também podem auxiliar a entender o início do universo. Isso porque eles podem passar da matéria para a antimatéria, ou seja, poderemos entender melhor a relação da matéria com a anti-matéria.

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