O falecimento de uma bebê de cinco meses na última segunda-feira (27), em um hotelzinho no bairro Alto do Cocar, zona oeste de Petrolina, supostamente por engasgo (o IML ainda não confirmou a causa) provocou comoção na comunidade e um alerta para os pais e cuidadores de crianças. A postura rápida de um adulto pode ser determinante para salvá-las em casos de sufocamento.

Para ajudar com medidas de emergência, a reportagem do Blog procurou o tenente do 4° Grupamento do Corpo de Bombeiros (GCB), Almery Ouriques, que explicou como devem ser realizadas as tapinhas nas costas e outras manobras. De acordo com o oficial, a sucção boca/narina – resposta comum no imaginário da população – funciona, mas não é a melhor opção para socorrer crianças asfixiadas. “É uma medida emergencial, executada no momento de desespero, mas que não é tão eficiente na puxada do objeto que estiver obstruindo as vias respiratórias”, afirma.

Contudo, nos casos de engasgo em bebês, a pressão no pulmão deve ser feita de outra maneira. “Verificou que o lactante está engasgado, pelos sinais característicos que são pele azulada com face e lábios cianóticos, o adulto deve virar a criança sobre o antebraço e realizar cinco tapinhas nas costas, no sistema de tapotagem, vira a criança de volta e verifica se o objeto desceu pela ação das tapinhas. Caso não tenha descido, deve ser feita cinco compressões torácicas entre os mamilos. Se o beber, mesmo assim, não desobstruir, faz novamente a tapotagem até a criança ficar inconsciente, quando será realizado o procedimento de RCP – Reanimação Cardiopulmonar”, ensina.

O tenente enfatiza que durante a intercorrência, é essencial manter a calma e ligar imediatamente para o sistema de emergência 192 do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou 193 do Corpo de Bombeiros. Ele explica ainda que casos de engasgamento acontecem com frequência, mas só toma proporções quando há vítimas fatais.

Líquidos x sólidos

Segundo Almery Ouriques, essas ocorrências envolvem mais lactentes, uma vez que é uma faixa etária em que eles não têm um sistema de defesa bem desenvolvido igual ao do adulto. E ressalta que o sufocamento pode acontecer tanto por produtos líquidos como objetos sólidos. “Exemplo de um caroço de feijão, amendoim, pirulito, balas, pilhas, pedras, ou seja, qualquer objeto que a criança possa levar até a boca”, afirma. O oficial lembra que a ação nos primeiros minutos pode salvar a vida de uma criança. “A postura tem que ser rápida quando presenciar alguém com engasgo, tendo em vista que se passar mais que cinco minutos sem respirar, os danos podem ser irreversíveis ou severos, causando lesão a nível celular”, finaliza o tenente.

Fonte: Blog do Carlos Britto

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