Fotos: Leonardo Prado e Ricardo Stuckert

Justiça seja feita, antes de prosseguirmos com o texto, o bordão “rouba, mas faz” não foi criado em alusão ao deputado Paulo Maluf (PP-SP). A frase tem origem na década de 50 do século passado, entrando para o folclore político brasileiro quando cabos eleitorais do político paulista Adhemar de Barros (1901-1969) o repetiam para neutralizar os adversários, que o acusavam de ser ladrão. Em vez de negar as acusações, os adhemaristas afirmavam que Adhemar eram um fazedor, que construía isso e mais aquilo.

Todavia, foi com Maluf governando São Paulo, no início da década de 80, e como prefeito da cidade de São Paulo, nos anos 90, que o “rouba, mas faz” ganhou fama e é lembrado pelas gerações mais recentes. Curiosamente, foi o PT uma das vozes que mais contribuiu para colar a pecha em Maluf perante a opinião pública e na imprensa. Quis o destino que décadas depois o bordão agora fosse empregado ao chefão do petismo, acrescentado duas palavras consonantes com os novos tempos: “rouba, mas faz obra social”.

A última pesquisa do Datafolha, realizada nos dias 27 e 28 de setembro passado, é um indício de que o ex-presidente Lula herdou o bordão de Adhemar e Maluf. Apesar da condenação na Operação Lava Jato, dos inúmeros inquéritos como réu e, principalmente das recentes revelações do ex-ministro Antonio Palocci, o chefão petista continua a crescer na intenção de voto do eleitorado brasileiro. Segundo dados do instituto, na disputa presidencial ele aumentou de 15% para 18% nas menções espontâneas. Na pergunta estimulada ele lidera em todos os cenários com pelo menos 35% das intenções. E sua taxa de rejeição caiu de 46% para 42%.

A demonização de toda a classe política só tem beneficiado o ex-presidente Lula. As denúncias e ações do ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer, também foram favoráveis ao PT e Lula. A denúncia de corrupção envolvendo o senador Aécio Neves (PSDB-MG), figura que representou o voto contrário ao petismo na última eleição presidencial, também ajudou muito. Somando tudo isso, a percepção que o brasileiro comum tem do atual quadro político é simples: se ninguém presta e todos roubam, tragamos de volta aquele que roubou, mas fez pela população mais humilde.

Confira abaixo os cenários da pesquisa Datafolha:

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