Alerta de segurança da empresa Avianca foi emitido após primeira tentativa de Diyab entrar no Brasil, no ano passado (Reprodução)

O Jornal Zero Hora informa que o sírio Jihad Ahmad Diyab Diyab tentou, pela segunda vez, ingressar no Brasil e foi interceptado pela equipe do delegado Alessandro Lopes, da PF de Santana do Livramento. A Polícia Federal (PF) está atenta aos movimentos dos seis ex-detentos da base americana de Guantánamo que passaram a residir no Uruguai em 2014.

Diyab chegou à fronteira brasileira na madrugada de 19 de agosto, acompanhado de um palestino morador de Rivera. Vindo de Montevidéu, onde mora desde que deixou Guantánamo, o sírio chegou de ônibus ao terminal de Rivera. Ao cruzar para Santana do Livramento, tentou hospedar-se em um hotel, na Rua Silveira Martins. Foi nesse momento que acabou interceptado pela PF.

A dupla foi levada até a área de controle migratório da PF, onde foi feito um termo de impedimento de entrada no Brasil. Eles pegaram um táxi para atravessar de volta para o Uruguai e foram escoltados pelos federais até a linha divisória. Informações obtidas pela coluna dão conta de que o palestino, cujo nome não foi divulgado, teria conhecido Diyab em Montevidéu e oferecido emprego em Rivera, onde tem comércio, ou no lado brasileiro.

“Nós tínhamos a informação de que ele iria ingressar no Brasil e fizemos o trabalho de polícia de fronteira, o impedimento de entrada por falta de visto. Verificamos que ele estava ingressando, tinha ânimo de ficar aqui e procurar trabalho” contou Lopes ao jornal gaúcho. Diyab é conhecido da PF. Em junho do ano passado ele já havia tentado ingressar ilegalmente no Brasil, dessa vez por Chuí. “Ele usa muletas, é de fácil identificação. Não fala português”, explica o delegado.

Diyab é uma espécie de porta-voz dos refugiados de Guantánamo no Uruguai. Em várias ocasiões, tem reclamado da forma como o governo uruguaio lida com os estrangeiros. Poucos meses após sua chegada, ele viajou à Argentina, onde pediu ao governo status de refugiados. Diyab tem nascionalidade síria, mas, na verdade, nasceu no Líbano. Foi preso em 2002 no Paquistão por ligações com a Al-Qaeda, de Osama bin Laden.

Para Guantánamo, base americana incrustada em Cuba, foram levadas centenas de suspeitos de terrorismo após os atentados de 11 de setembro de 2001. Um acordo entre EUA e Uruguai, no governo Mujica, permitiu a transferência de alguns presos. Além de Diyab, há outros três cidadãos de origem síria no grupo que veio de Guantánamo.

Há ainda um tunisiano e outro palestino. Eles foram declarados livres pelos americanos devido a sua baixa periculosidade. Muitos capturados em conflitos no Afeganistão e no Iraque estavam lá, mas não tinham acusações formais. Diyab, por exemplo, ficou 12 anos em Guantánamo sem acusações nem julgamento. Desde 2013, fazia greves de fome e chegou a ser alimentado à força com técnicas como a inserção de um tubo pelo nariz para a introdução de líquido.

Em julho de 2016, a foto de Diyab foi publicada pela companhia aérea Avianca, que alertou sobre sua presença ilegal no Brasil. Tratava-se de um comunicado interno que vazou para a imprensa, no qual a empresa pedia que seus funcionários avisassem as autoridades, caso o encontrassem. Apesar de oficialmente ser um homem livre, com documentos uruguaios, seus movimentos são monitorados.

*Com informações do Jornal Zero Hora.

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