Se você acompanha os noticiários, recentemente, deve ter ouvido falar do coronavírus. A China e vários outros países, como a Itália, estão sob alerta, pois há diversos casos nesses países. Por ser um vírus mortal, as autoridades de todo mundo estão se mobilizando com a situação. As autoridades querem conter o surto e identificar toda a rota do coronavírus.

Os coronavírus são, na verdade, um grupo de vírus de genoma de RNA simples de sentido positivo. São conhecidos desde meados dos anos 1960. A maior parte das pessoas se infecta com os coronavírus comuns, no decorrer da vida. Eles são uma causa comum de infecções respiratórias brandas e moderadas, porém, de curta duração. Devido aos relatos sobre a situação da China, o mundo todo voltou seus olhos para o país asiático.

Claro que, com o vírus se espalhando rapidamente, as pessoas ficam mais aflitas e procurando maneiras de se proteger. De todos os países, a China é onde a situação está mais alarmante, visto que o vírus se originou no país. Mas todos os países do globo estão tomando medidas, para tentar conter a propagação do vírus.

O Brasil teve seu primeiro caso confirmado em fevereiro. Mas antes mesmo do vírus chegar aqui, os brasileiros, que vieram da China para o nosso país, tiveram que ficar por 14 dias, em quarentena para serem observados.

Quarentena

Contudo, as pessoas que voltaram da Itália não passaram por essa mesma triagem. E o país europeu já teve registradas mais de 10 mortes por causa do coronavírus. Foi de lá que veio o primeiro paciente com coronavírus para o Brasil.

Os especialistas dizem que essas diferenças de tratamento foram devido ao fato de a China ter sido o epicentro da doença. E que, por esse motivo, aumentava o risco das pessoas que vieram de lá, de espalharem o vírus por vários estados do Brasil.

De acordo como Wladimir Queiroz, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, e especialista em doenças infecciosas e parasitárias, bem como segundo membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), nenhum país no mundo fez a quarentena, no caso de pessoas voltando de lugares com registros de coronavírus.

O infectologista Wladimir Queiroz ainda afirma que, em sua visão, os leitos dos hospitais devem ser guardados para aqueles pacientes, que estão com casos graves.

“Os brasileiros que vieram da China estavam em um epicentro muito maior, do que é a Itália. E iriam para vários estados diferentes, o que poderia levar o vírus a se espalhar. O caso do paciente que veio da Itália é diferente. A maioria dos pacientes com sintomas leves, semelhantes aos da gripe, estão se tratando em casa. Os leitos hospitalares devem ser reservados, para quem está em estado mais grave”, explicou.

Motivos

Um outro ponto, defendido pela professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora da SBI, Nancy Bellei, é que as políticas de contenção já não fazem mais sentido. Bellei acredita que o que deve ser fortalecido, são as formas de diagnóstico e prevenção. Estas sim é que devem ser fortalecidas.

“Há dois pontos: primeiro, os brasileiros que estavam na China estavam em uma quarentena forçada, não eram cidadãos chineses. E houve aí uma questão humanitária que o governo avaliou. Naquela época, Wuhan era o epicentro da doença”, disse a professora.

“O segundo ponto é que tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, e o Ministério da Saúde recomendam que o paciente que estiver em condições clínicas leves fique em casa, em quarto isolado, usando máscaras, sendo cuidado por uma pessoa, que passe a maior parte do tempo sozinho e em ambiente ventilado”, concluiu.

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