Foto: reprodução/Metro1

A Prefeitura de Casa Nova, no norte da Bahia, vendeu por R$ 1,5 milhão um terreno no Centro da cidade. A área, de mais de 2.800 m², foi alvo de negociação em duas oportunidades, no ano passado, por meio de licitações dadas como ‘desertas – quando nenhum comprador oferece proposta.

Quando a gestão de Wilker Torres (PSB) mudou a modalidade de venda, o terreno foi arrematado por R$ 1,5 milhão por Mary Rodrigues Figueiredo. Vereador da base do prefeito, Vanderlin (PCdoB) afirmou em plenário que se sentiu enganado pelo chefe do Executivo Municipal com a venda. “Não achei correta. Nunca questionei a legalidade do processo, mas acho que não teve a moralidade necessária. Eu me sinto enganado. […] Todo mundo sabe que aquele terreno vale mais que R$ 1,5 milhão. Não posso concordar com essa situação”, lamentou.

Uma ação popular que pede anulação da venda do terreno foi movida pelo advogado Paciel Coelho após manifestação do ex-vereador João Honorato (Avante). À reportagem do site Metro1, ele afirmou que a área vale mais de R$ 10 milhões. Ainda de acordo com Honorato, a nova proprietária do imóvel, durante o processo milionário de compra, fazia uma rifa na cidade para pagar tratamento médico da filha menor de idade.

O ex-parlamentar e pré-candidato a prefeito disse também que o irmão do prefeito, deputado estadual Tum (PSC), possui forte ligação com Mary – sempre presente em seus eventos sociais em Brasília. Ele relatou que no ano de 2013, Mary iniciou “uma relação comercial” com a prefeitura através da MX3 Produções, realizando eventos na cidade.

Ela é laranja deles. No mesmo momento que estava adquirindo o terreno por um R$ 1,5 milhão, ela não tinha recursos para tratar a saúde da filha. A conta que recebia os valores dos bilhetes é a mesma conta usada para transferir o pagamento desse terreno. Venderam o terreno abaixo do valor para uma pessoa que não tem condições de adquirir esse imóvel”, acusou.

Outro lado

A reportagem procurou Mary e o prefeito. Eles informaram que enviariam uma nota, mas até a publicação nada foi encaminhado. À imprensa local, o gestor disse que na proposta votada e aprovada pela maioria absoluta da Câmara Municipal “não tem uma vírgula de ilegalidade” e atacou a oposição por tentar mais uma vez criar “fake news”.

Ao site, o deputado Tum disse que até 2018, se dedicou aos negócios da família, não tendo nenhum tipo de influência na administração de Casa Nova. Como empresário, mantém e sempre manterá negócios no município, terra onde nasceu, sendo todos de conhecimento público, e que nunca teve ou manifestou interesse nesse tipo de aquisição.

Por fim, Tum também considerou que o “retorno do assunto à pauta cumpre tarefa perversa de disseminar a desinformação entre a comunidade casa-novense, missão executada por um grupo político em declínio e largamente rejeitado na opinião popular”. Ele ressaltou também que “a tentativa de relacionar o seu nome a esse fato não passa de desespero político e que cobrará, judicialmente, se necessário, a retratação aos autores dessas mentiras”.

Fonte: Blog do Carlos Britto

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