Presidente da Assembleia do Rio já teve fazenda flagrada com escravos

Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que teve
sua prisão decretada, nesta quinta (16), pelo Tribunal Regional Federal por lavagem
de dinheiro, corrupção passiva e organização criminosa, já foi
responsabilizado por trabalho escravo pelo governo federal.

Ele, um dos investigados no âmbito da operação Cadeia Velha, desdobramento da
Lava Jato que analisa o favorecimento de empresas de ônibus por deputados do
Rio, era proprietário da fazenda Agrovás, localizada em São Félix do Araguaia, no
Estado do Mato Grosso, quando 39 trabalhadores foram resgatados em junho de
2003.

De acordo com auditores fiscais que participaram da operação, eles estavam
submetidos à vigilância armada de ”gatos” (contratadores de mão de obra a serviço
da fazenda) para evitar fugas. Além disso, as pessoas lavavam roupa, tomavam
banho e bebiam da mesma água. Entre os trabalhadores, havia um adolescente de
17 anos.

Por conta dessa ação, a empresa que controlava a fazenda foi incluída na ”lista
suja” do trabalho escravo em dezembro de 2004. O cadastro, publicado pelo
Ministério do Trabalho, relaciona pessoas ou empresas flagradas com mão de obra
análoga à de escravo e que tiveram direito à defesa em primeira e segunda
instâncias administrativas.

Na época da libertação, o deputado culpou dois empreiteiros, supostamente
contratados para levantar cercas, pelo crime e negou ter conhecimento da situação.
Porém, o gerente da fazenda afirmou que ele visitava a propriedade
frequentemente, inclusive realizando sobrevoos na área.

O Ministério Público do Trabalho e Picciani fecharam um acordo para estabelecer
uma indenização em dinheiro e garantir o cumprimento dos parâmetros trabalhistas.
O processo criminal acabou arquivado pelo procurador-geral de Justiça do Estado
do Rio de Janeiro.

O flagrante nem arranhou a sua carreira política, tanto que continuou sendo reeleito
para o cargo, pelo povo, e presidente da Assembleia Legislativa do Rio, por seus
pares.

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