Tradicional instituição de Pernambuco, o Sesi viu esta semana uma de suas unidades, localizada em Petrolina, ser acusada de assédio moral. O fato aconteceu na última segunda-feira (11). Quem formalizou a acusação foi o professor de Geografia, Jean Pinheiro.

Conforme contou a este Blog, o professor foi desligado temporariamente de suas funções no Sesi, depois de ter sido denunciado – segundo ele, de forma caluniosa – por um dos seus alunos do 1º ano, por permitir o acesso a sites pornográficos numa aula de laboratório, pela qual pediu à turma que pesquisasse sobre o fenômeno do El Niño.

Jean garante que o único registro dessa denúncia está numa foto tirada por uma aluna sua, que não representa nenhuma prova contra ele. Mas o pior desse episódio, segundo ele, além de não ter sido verdade, foi o fato de a direção suspendê-lo sumariamente do cargo, sem direito a remuneração, e nem ouvir suas explicações ou averiguar o que realmente aconteceu.

Com sete anos de atuação no Sesi, Jean é tido por colegas de trabalho como um profissional “de conduta ilibada”, até porque também leciona em outros estabelecimentos de ensino. Ele acredita que, pela forma como tudo aconteceu, trata-se de uma “perseguição” por parte da direção do Sesi, uma vez que também faz parte do Sindicato dos Professores no Estado de Pernambuco (Sinpro)/unidade de Petrolina.

Eles me suspenderam de forma arbitrária, sem remuneração. A gente sabe do momento político, dessas reformas que não concorrem para proteger os direitos do trabalhador, e aí a classe patronal já se apropria disso inclusive para perseguir os trabalhadores, sobretudo aqueles que têm militância sindical”, desabafou. Jean informou ainda que tanto o aluno que acessou o site proibido, quanto a aluna que tirou a foto, já assumiram suas responsabilidades perante a direção e desfizeram o mal-entendido. Mesmo assim ele continua punido.

O professor, por meio do Sinpro, ingressou com uma ação judicial pedindo uma retratação do Sesi. De acordo com Vanessa Chaves, que também integra a diretoria do Sinpro em Petrolina, a entidade leva em conta a condição de sindicalista de Jean, mas sobretudo a sua atuação enquanto educador. Nos dois casos, o professor foi desrespeitado pela instituição. “Essa é uma prática que não se adota em nenhuma outra unidade de ensino de nenhuma outra rede, de não ouvir o professor, de não procurar saber o que aconteceu”, declarou.

Vanessa também reforçou sua preocupação com esse fato, que para ela é tão fora de contexto, diante do exemplo de profissionalismo de Jean, que não como dissociar dos ataques aos direitos trabalhistas impostos pelas reformas do governo federal.

Outro lado

Procurado pela reportagem, o Sesi esclareceu o episódio por meio de sua assessoria jurídica no Recife, a qual confirmou o desligamento de Jean. A assessoria justificou, no entanto, que em nenhum momento o professor procurou a direção para explicar o ocorrido. “Tomamos conhecimento através dos pais dos alunos”, disse.

A assessoria jurídica ressaltou ainda que um inquérito judicial foi feito para apurar o que aconteceu, e descartou as críticas de que o Sesi estaria perseguindo o professor. A assessoria garante que a instituição mantém uma boa relação não apenas com o Sinpro, como também com o Sindicato dos Empregados, Entidades de Assistência Social e de Formação Profissional (Senalba).



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