O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira (foto), recebeu representações para expulsar os 11 deputados federais que votaram a favor do texto-base da reforma da Previdência, na última quarta-feira (10), descumprindo a orientação do partido. Isso porque a sigla fechou questão contra a proposta e indicou aos seus deputados e senadores que também se posicionem contrários à matéria. Entre os parlamentares que podem sofrer punições, está o pernambucano Felipe Carreras. O PSB tem, hoje, 32 parlamentares.

Já recebemos representação contra todos eles, solicitando a expulsão. Vou encaminhar amanhã para a comissão de ética, que se reunirá na próxima segunda-feira para iniciar os seus trabalhos. Todos eles responderão a processos. A comissão de ética vai dizer qual é a medida que deve ser adotada. A infidelidade é bastante grave e, quando a comissão de ética apontar, nós vamos levar ao diretório. O mesmo diretório que fechou questão praticamente por unanimidade vai julgar“, disse em entrevista à Folha de Pernambuco.

Siqueira relembrou que o partido já expulsou deputados em casos que antecederam o momento, como a reforma trabalhista. “Nós já temos precedentes. É uma infidelidade de natureza grave“, disse. Especificamente sobre o pernambucano, Siqueira afirmou que Carreras “resolveu mudar de lado“, apesar de o PSB ser o seu primeiro partido.

Segundo o dirigente, o deputado votou “com a classe que ele passou a integrar depois de rico” e cedeu “aos apelos do poder econômico” ao votar reforma contra população. “Traiu suas origens, mas é assim mesmo. O povo vai julgar. Não é só o partido que vai julgar. O principal julgamento vem dos eleitores dele e de todos os outros que irão enfrentar as urnas nos próximos anos”.

Sobre a possibilidade de punição, o governador Paulo Câmara, que é vice-presidente da executiva nacional do PSB, afirmou que é preciso dialogar. “Isso é uma decisão que o diretório tomou de fechamento de questão. Vamos aguardar. Não pode haver nenhum tipo de ação contra deputados que descumpriram determinação do partido sem haver, também, a convocação do diretório, a discussão, a questão de ouvir o outro lado, o contraditório, então tem um rito a ser observado que o partido, com certeza, vai fazer. E conversar. Porque a gente sabe da importância do nosso partido trabalhar para melhorar o Brasil”, disse.

O também socialista Danilo Cabral pondera que a legenda deve aplicar penalidades aos parlamentares que votaram a favor da reforma, mas defende que “não chegue a punição extrema” de expulsão.

A situação que vivemos é completamente diferente da reforma trabalhista. Naquela situação, o partido precisava tomar uma posição de oposição. Hoje, a divergência se deu pelas convicções, em função da visão que cada um tem, não por alinhamento ao governo Bolsonaro. Não dá para usar a mesma régua em situações diferentes. Deve ter alguma penalidade, sim, em respeito ao diretório, mas são situações diferentes“, opina Cabral. Procurado pela reportagem, até o fechamento desta edição, Felipe Carreras não atendeu. De acordo com a sua assessoria, ele deve emitir nota hoje.

Resposta

A votação do texto-base que faz alterações nas aposentadorias também rendeu polêmica, quando o líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), disse, em entrevista à Rádio Jornal que Paulo Câmara teria trabalhado em busca de votos de parlamentares para aprovar a reforma. Por meio de nota, Câmara disse que a afirmação causa surpresa e negou ter se articulado contra a decisão de seu partido. “O PSB fechou questão contra a PEC da Previdência e não existiu qualquer movimentação do governador na direção de contrariar a decisão partidária”, garantiu. (Fonte: Folha de PE)

Fonte: Blog do Carlos Britto

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