Navio Skandi Patagonia e a sonda pressurizada (U.S. Navy)

As horas estão passando a aumenta a pressão sobre as equipes que participam das buscas pelo submarino ARA San Juan, da Marinha da Argentina. Segundo cálculos dos especialistas, a embarcação só teria oxigênio suficiente para a tripulação até esta terça-feira (21), se por acaso ela esteja submersa no fundo do mar e sem nenhuma avaria que possa ter aberto o casco ou, noutra hipótese, ter ocorrido um incêndio a bordo.

E a pressão maior recai sobre a equipe da Marinha dos Estados Unidos, que chegou ao sul da Argentina com aviões cargueiros transportando os mais modernos equipamentos disponíveis no planeta para o resgate em submarinos. A esperança é depositada na atuação de quatro submersíveis não tripulados e que são controlados remotamente. Os americanos vieram provenientes de uma base em Pearl Harbor.

Um dos submersíveis é chamado de Bluefin 12D e tem a capacidade de realizar operações de buscas numa velocidade de 5,5 km/h a profundidade máxima de 1.500 metros, trabalhando ininterruptamente por 30 horas. Os outros três são denominados Iver 580, que se movem a 4,6 km/h e a uma profundidade máxima de 100 metros. Trabalham sem parar por 14 horas consecutivas.

Submersível Bluefon 12D pode submergir a até 1.500 metros de profundidade (U.S. Navy)

Os submersíveis são capazes de pesquisar amplas áreas do fundo do oceano usando o Side Scan Sonar, um sistema que é usado para criar com eficiência imagens de grandes áreas do leito do mar.

Se o submarino for localizado e estiver em condições de resgatar a tripulação, entra em cena o gigantesco navio norueguês Skandi Patagonia (foto superior), que leva a bordo uma câmara pressurizada (foto superior) que descerá às profundezas, rumo ao ARA San Juan. Chegando ao submarino, será acoplada a uma das escotilhas. Por ela, serão resgatados seis marinheiros de cada vez.

Segunda alternativa de resgate

Outra possibilidade de resgatar os 44 tripulantes do ARA San Juan seria o uso do Módulo de Resgate Pressurizado, que ainda será deslocado para a Argentina nos próximos dias. O equipamento pode submergir a até 600 metros de profundidade para a conexão e acoplamento com um submarino no fundo do oceano, com um ângulo de até 45 graus tanto em inclinação quanto em balanço. O módulo pode resgatar até 16 pessoas por vez. Também é operado por dois membros da tripulação e funciona selando a escotilha para uma transferência segura.

Módulo de Resgate Pressurizado seria a segunda opção a ser usada (U.S. Navy)

Apesar dos testes e frequentes treinamentos, a Marinha dos EUA nunca usou os equipamentos numa situação real. A operação de busca ao ARA San Juan será a primeira. Os americanos encaram o episódio como uma oportunidade para colocar em prática as técnicas de resgate e testar os equipamentos que eles próprios desenvolveram.

Ajuda do Brasil

Já no sábado (18), o Brasil mobilizou três embarcações da Marinha, o Navio Polar Almirante Maximiano, que se deslocava para Estação Antártica Comandante Ferraz; a Fragata Rademaker, que regressava de uma Operação com a Armada do Uruguai; e o Navio de Socorro Submarino Felinto Perry, que desatracou da Base Almirante Castro e Silva, localizada no Rio de Janeiro.

O navio Almirante Maximiliano chegou na manhã deste domingo (19) à área onde o submarino deu seu último sinal de rádio, comunicando-se com o Navio de Apoio Logístico da Armada da Argentina Patagônia, mas as ondas estão altas – 6 metros -, o que dificulta a busca, inclusive de avião.

A Força Aérea Brasileira também está colaborando com o envio de duas aeronaves, uma aeronave SC-105 Amazonas (busca e salvamento – SAR) e P-3AM Orion (patrulha).

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