Mais um tema de conteúdo religioso transformou-se no foco de nova polêmica na Casa Plínio Amorim durante sessão plenária desta terça-feira (31), e chegou a tirar do sério o presidente da Mesa Diretora, vereador Osório Siqueira (PSB). O motivo desta vez foi um requerimento da vereadora de oposição Cristina Costa (PT), a qual apresentou uma moção de aplausos ao babalorixá Alcides Manoel dos Reis (conhecido como Pai Cido de Osun).

Considerado um ícone no candomblé de São Paulo, Pai Cido lançou na semana passada em Petrolina seu novo DVD sobre festa de terreiros. Na ocasião, Cristina justificou verbalmente a moção de aplausos no plenário da Casa, e viu seu requerimento ser aprovado pela maioria dos colegas. Apenas o vereador Elias Jardim (PHS), da ala evangélica, se retirou do plenário para não votar.

Até aí, tudo normal. Mas a autora do requerimento se disse surpresa nesta terça, depois que o líder da bancada governista Ruy Wanderley (PSC), outro representante dos evangélicos, pediu destaque da ata da sessão de quinta (26), para que constasse seu voto contrário à moção de aplausos. A partir disso o que se viu foi um debate de mais de uma hora em plenário, por um assunto que demandava bem menos tempo.

Ele (Ruy) poderia ter votado contra na sessão passada, porque o processo é democrático. Não sei por que ele não fez”, afirmou Cristina, que não gostou do comentário de outro vereador da ala evangélica, Osinaldo Souza (PTB), o qual afirmou que sua colega teria feito “uma pegadinha” para aprovar a moção.

Não houve pegadinha. O pai de santo Alcides Manoel recebeu uma moção de aplausos da Câmara de Vereadores de São Paulo. Estava lançando mais um DVD, e daqui seguiria para Natal (RN). Não tenho intolerância religiosa. Eu ando nas igrejas evangélicas, como vou aos terreiros assistir às apresentações dos orixás e também vou à minha igreja defender o Deus que eu acredito”, justificou a vereadora (que é católica).

Cristina, que disse já ter votado em títulos de cidadania para pastores evangélicos de Petrolina (embora tenha se abstido de votar no título do pastor e atual vereador Alex de Jesus, “por não conhecer o seu trabalho”), criticou Osinaldo. “Não aceito o posicionamento do vereador Osinaldo querer dizer o que deve o que não se dever ser colocado em pauta. Acho que cada um é livre de votar como quer, e argumentar”, ponderou.

Portaria

Segundo a justificativa de Osinaldo, a Casa aprovou uma portaria determinando que apenas requerimentos de “urgência urgentíssima” deveriam ser votados verbalmente – o que não seria o caso da moção de aplausos ao babalorixá. “O requerimento foi votado de forma verbal, mas ninguém sabia que ele tinha sido votado. Todos os vereadores achavam que ela simplesmente tinha se pronunciado sobre a intenção de entrar com requerimento. É tanto que hoje ele está na pauta”, explicou o vereador, deixando a entender um equívoco por parte da Mesa Diretora.

Osinaldo reconheceu que o tempo gasto para discutir uma matéria aparentemente simples foi exagerado. Ele alegou ainda que, se votou no requerimento de Cristina na semana passada, não sabia que a matéria já estava na pauta, justamente pela portaria aprovada. Sobre a moção de aplausos, Osinaldo disse não ter nada contra, mas não votaria a favor de algo que desconhecia. “O DVD fala em rituais. Eu não sei se são rituais macabros ou de qualquer outra espécie”, declarou. Sobre isso, Cristina foi categoria: “Bastava ele ter me perguntado”. No final do debate, o requerimento acabou aprovado por 13 votos a três. Os votos contrários foram de Osinaldo, Ruy Wanderley e Elias Jardim.

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