(Foto: Blog do Carlos Britto)

Este Blog divulgou para aos seus leitores que promoveria um debate entre os postulantes aos cargos de reitor e vice-reitor no próximo dia 04 de novembro. O estúdio da Rural FM seria o palco e a emissora transmitiria em cadeia com o Blog todos os momentos desse evento. Em áudio e vídeo.

Importante destacar que a divulgação só aconteceu depois de uma reunião com a presença das 4 chapas e da comissão eleitoral da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), onde “todos aceitaram participar”. As regras e acompanhamento total seriam as utilizadas em debates que já estariam estabelecidas pela Universidade. Repito: as regras seriam da Univasf, as perguntas somente de candidato para candidato ou de alunos, professores e técnicos colhidas em uma urna. A nossa função seria, apenas, transmitir e mediar o debate sem qualquer condição de interferir nas regras impostas.

Infelizmente, fomos surpreendidos com um e-mail no qual a comissão desautorizava o debate reclamando que um dos candidatos teria sido citado anteriormente em matérias, o que, segundo eles, prejudicaria sua isenção. As matérias foram publicadas antes da reunião e ainda assim enviadas ao Blog como sugestão de pauta.

Recebemos aqui, diariamente, mais de 500 e-mails de sugestão de pautas, além de incontáveis mensagens pelo Instagram, Facebook e Whatsapp. O critério é sempre o interesse da comunidade. Não escolhemos receber sugestões de quem quer que seja e, certamente, se qualquer postulante tivesse tido o interesse poderia ter nos enviado e o critério seria exatamente igual.

Ademais, a ideia de promover o debate aconteceu bem depois da divulgação, e, portanto, um assunto não tem qualquer relacionamento com outro.

Para justificar o cancelamento, a decisão nos aponta, por isso, como “tendenciosos” e “partidários”. Uma acusação leviana, absurda e descabida. Aliás, é inconcebível que a Comissão Eleitoral, atendendo ao reclamo da Chapa 3, trate desta forma dois veículos de comunicação (a Rádio e o Blog) que apenas tentaram abrir os seus canais para que a comunidade pudesse saber o que pensam os candidatos, quais suas impressões, perspectivas e, sobretudo, o que podem oferecer a Universidade.

Dizer que “o público destinado é somente a população acadêmica” é raso e desprovido de qualquer dimensão dessa instituição. O compromisso com o ensino, a pesquisa e, sobretudo com a extensão, impõe que a universidade mantenha estreito contato com a comunidade. A fuga do debate sugere que não estão à altura ou aptos. Se arvoram como donos, esquecendo que a Univasf é de todos nós e não de domínio de qualquer reitoria ou grupo.

As cidades que sediam a Univasf, que confiam seus filhos e seus sonhos, também dedicam muito a ela. Altos investimentos financeiros e de expectativas. Tão grandes que talvez os que assinem a nota não consigam mensurar ou enxergar. E retribuir é missão primeira, mas parece que não sabem, ou pior, não querem.

As mentes tacanhas não conseguem entender que a Univasf precisa cada vez mais de outros debates, de se aproximar mais da comunidade e não se fechar dentro de seus muros. Não é uma ilha, mas um mar que precisa se abrir para o conhecimento e oportunidades.

Entender que precisa ser menos usada para interesses políticos partidários, panfletários ou de extrema promoção do ego pessoal.

Que a Universidade Federal do Vale do São Francisco possa mesmo avançar e continuar orgulhando nossa gente pelos seus feitos positivos. A academia precisa se ver como exemplo para a população. A instituição é para sempre. As pessoas da reitoria vão passando, como o vento, uns fortes e vigorosos, outros fracos e sem consistência.

Carlos Britto

Fonte: Blog do Carlos Britto

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